Polícia quer criar arquivo genético
Luciana Pombo
De Curitiba
O Instituto de Criminalística do Paraná quer montar um arquivo estadual com o perfil genético de estupradores e criminosos. A proposta faz parte do projeto encaminhado há três meses para a análise da Secretaria de Estado da Segurança Pública. A intenção é montar um laboratório para exames de DNA dentro do próprio Instituto de Criminalística (atualmente os exames são terceirizados) favorecendo a montagem de arquivos e agilidade no resultado dos exames. Com um arquivo como esse, teríamos condições de identificar rapidamente a pessoa que cometeu um delito por amostras de esperma ou saliva, afirma José Lourenço Bueno, diretor do instituto e perito criminal.
Renato DallStella, perito criminal da Seção de Genética Molecular, explicou que esse tipo de arquivo identificaria todos os criminosos em potencial. Quando alguém fosse preso por estupro ou homicídio, por exemplo, coletaríamos seu material genético e arquivaríamos seu DNA. Numa outra oportunidade, quando ocorresse um estupro com autor desconhecido, faríamos o exame e compararíamos com o arquivo já existente, diz. O processo seria semelhante ao já existente com relação a impressão digital. Vamos criar um arquivo com a impressão genética dos criminosos, salienta.
Além do arquivo de perfil genético de criminosos, o Instituto de Criminalística pretende fazer um banco de dados de cadáveres não identificados. Nos casos de reclames de parentes, o exame de DNA seria feito e comparado com os dados dos cadáveres não identificados que passaram pelo Instituto Médico Legal (IML). É um trabalho social. Recebemos diariamente o telefonema de mães desesperadas porque não sabem o que pode ter acontecido com seus filhos, argumenta Stella.
Uma vez aprovado o projeto, que já foi encaminhado para a Secretaria de Estado da Fazenda, o laboratório poderia estar funcionando no prazo de seis meses. Grande parte dos equipamentos são importados. Até ter tudo em funcionamento, demoraríamos um pouco, diz o perito. Na semana que vem, Bueno deverá ter uma reunião com técnicos da Fazenda para discutir o projeto. Todo o laboratório poderia ser construído com R$ 200 mil. Não será necessário um recurso muito grande e os benefícios são inúmeros, garante Bueno.





