Maigue Gueths
De Curitiba
Faltando ainda 11 dias para terminar o mês, até ontem já tinham sido registrados 26 homicídios em Curitiba, mais do que em todo mês de janeiro do ano passado, quando houve 24 assassinatos. Apesar dos meses de verão apresentarem índices em até 40% maiores do que no restante do ano, em função das festas, férias e feriados prolongados, janeiro de 2000 está surpreendendo a Polícia Civil. Por isso, a Delegacia de Homicídios está estudando medidas e promete reduzir o número de assassinatos em Curitiba e região metropolitana neste ano.
O delegado titular Fauze Salmen, no cargo desde novembro, quer trabalhar neste ano principalmente com a prevenção. A idéia é levantar dados sobre o perfil dos crimes, verificando as ligações com drogas, brigas pelo controle de território, além de identificar os bairros e bares mais problemáticos. A delegacia também fará operações de desarmamento, com blitze e revistas em diversos pontos da cidade. ‘‘Não sabemos porque está havendo tantos homicídios neste mês, mas é certo que eles só acontecem porque as pessoas andam armadas’’, diz o delegado. Ele lembra, ainda, que o número de mortes ligado às drogas, atualmente, é bem superior ao registrado nas outras duas ocasiões em que ele assumiu a delegacia, em 1985 e 1994.
A Homicídios tem um índice de elucidação dos casos de 85%, bastante elevado em relação ao índice suportável no Brasil, que está entre 30% a 40%. Isto acontece, segundo Salmen, porque os delegados costumam ir ao local dos crimes, começando a investigação imediatamente após o ocorrido. Setenta por cento dos casos são resolvidos no próprio local. Em 99, foram registrados 336 homicídios na cidade.
Dentro da nova mentalidade da Polícia Civil, de priorizar a repressão aos crimes contra a vida, a idéia é transformar a delegacia em uma Divisão de Crimes contra a Vida, reunindo diversos setores da polícia, como homicídios, acidentes de trabalho, erros profissionais e desaparecimento de pessoas. O primeiro passo foi o aumento do efetivo. De dois delegados e 25 policiais passou para sete delegados, seis escrivãos, 42 policiais iunvestigadores e dez viaturas. Outra medida importante foi a mudança, dia 18, da pequena residência ocupada há mais de 15 anos para um amplo andar do prédio nº 182 da Rua Barão do Rio Branco. Há planos, ainda, de informatizar todo o serviço até metade deste ano.