No Carnaval, a Polícia Militar vai coibir com rigor a venda de spray de espuma ou neve artificiais feita por comerciantes ambulantes do Litoral. Os policiais pretendem recolher todos os produtos que não tiverem autorização do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e que não foram autorizados pelos órgãos de Saúde dos municípios de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná. No ano passado, durante os quatro dias do Carnaval, 600 foliões acabaram nos hospitais por uso inadequado do produto ou por utilizar falsos sprays de espuma.
‘‘No Carnaval passado, vendedores colaram etiquetas em cima de tubos de carrapaticida, comercializando como spray de espuma’’, afirmou o tenente Valdecir Capelli, do setor de comunicação da Operação Verão. ‘‘Mas esses casos foram raros’’, complementou. Junto com a Polícia Militar, fiscais das prefeituras de Matinhos e Guaratuba também vai impedir a venda de cervejas long neck. O veto ao comércio de garrafas é para evitar acidentes, como cortes.
Com relação aos sprays, a médica Carmem Magalhães, do Hospital Municipal de Matinhos, informou que a grande incidência de irritação dos olhos foi causada pelo mau uso do produto, como em ‘‘guerra’’ entre os foliões. ‘‘Como acontecem exageros, o ideal é que não fosse comercializado o produto’’, disse a médica. Quando lançado nos olhos o spray causa nas pessoas mais sensíveis ardência ocular, vermelhidão, lacrimejamento e fotofobia. Em alguns casos pode ocorrer descamação de pele.
Para evitar o uso incorreto, a única empresa autorizada pelo Inmetro, Chemiker do Brasil, de Palmeira, espalhou cartazes para ensinar as pessoas a usar o produto. O diretor da empresa, Carlos Malucelli, disse que o folião deve jogar para cima o produto para que forme a neve. ‘‘O produto não irrita, porque é feito da mesma linha de coméstico dos xampus para bebês’’, disse. Por causa de denúncias de irritação, a empresa realizou testes no laboratório Medlab Produtos diagnósticos Ltda, onde o spray foi testado em coelhos, sem apresentar irritabilidade.
‘‘Mas cada pessoa tem um grau de sensibilidade’’, advertiu a médica Carmem Magalhães. Para impedir que esses foliões sejam atingidos, os policiais têm autorização de deter quem estiver exagerando com o spray. O folião que abusar vai ser encaminhado à Delegacia onde pode responder por perturbação da ordem e lesões corporais.

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