Polícia procura quem ligou cerca elétrica
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de agosto de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O delegado do 6º Distrito Policial (DP), Algacir Ramos, tomou ontem os depoimentos de testemunhas da morte do estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, 15 anos, eletrocutado numa cerca irregular em escola no Distrito de Lerroville (60 km ao sul de Londrina). O delegado descartou o indiciamento do vigia e da coordenadora pedagógica da instituição. Também foram ouvidos a irmã, o namorado dela e a mãe da vítima.
O mistério sobre quem ligou ou mandou ligar o disjuntor para eletrificar o arame farpado permanece. O jovem morreu ao tentar pular o muro da Escola Municipal Bento Munhoz da Rocha Neto em 12 de agosto. A reportagem teve acesso aos depoimentos colhidos ontem. O vigia João Batista de Paulo, 53, declarou que sabia da instalação da cerca e que ''estava sendo colocado um fio.'' No entanto, afirmou que ''o fio seria ligado ao disjuntor da caixa de energia, porém esse disjuntor não seria ligado enquanto ele (diretor da escola) não consultasse a secretaria de Educação.''
Paulo também disse no depoimento que a escola era invadida com frequência por vândalos. Antes do incidente com Victor Hugo, ele teria visto três rapazes pulando o muro, mas não conseguiu reconhecê-los por estar escuro. ''O vigia não afirmou, mas deduzo que um deles poderia ter ligado o disjuntor'', comentou Ramos.
O advogado Paulo Aurélio Perez Minikowski, que representa o vigia e a coordenadora pedagógica Ana Sílvia de La Coleta Alberto, 44, disse que ambos não queriam conversar com a imprensa, mas negaram ter conhecimento da cerca eletrificada. ''Nem um nem outro sabiam da existência da cerca ou ligaram o disjuntor. O que houve foi uma fatalidade'', declarou. O depoimento do vigia contradiz a versão de Minikowski, já que ele admite saber da construção da cerca e da instalação elétrica.
A coordenadora pedagógica era a responsável pela escola no dia do acidente (o diretor estava em licença paternidade). Ela contou ao delegado que ''soube que estava sendo instalada uma cerca de arame farpado no muro localizado na divisa com o posto de saúde.'' Disse, porém, que depois do acidente desconhecia que o adolescente tinha sido vítima de choque elétrico.
O próximo depoimento previsto no inquérito é o da da secretária municipal de Educação, Carmem Lúcia Baccaro Sposti. Ela deve ser ouvida na quinta-feira, mas a data deve ser confirmada apenas hoje. Ramos ainda não definiu se convocará mais testemunhas. ''Vou ler todo o material colhido até agora e decidir, se necessário, quem mais será chamado e quando serão os próximos depoimentos'', revelou.
Os depoimentos da irmã de Victor Hugo e do namorado dela, ambos menores de idade, foram acompanhados pela mãe da vítima, Irene Alves Ferreira Silvestre, 44. Ela cobrou justiça. ''Isto (a luta por justiça) não vai parar. Vamos até o fim. Meu filho foi buscar resposta de um trabalho, não queria perder nenhum serviço. O fio matou ele (sic) na hora. Quem estava lá dentro deve saber de tudo o que aconteceu'', ressaltou.
O diretor da escola Renilson Machado do Nacimento e o funcionário público municipal Carlito Norbero Murari, pedreiro responsável pela construção do muro e instalação da cerca, foram indiciados pela polícia, na semana passada, por homicídio culposo (sem intenção de matar).


