Polícia procura maníaco no Paraná
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de agosto de 1998
Carmem Murara 
A Polícia Civil de Curitiba pode estar prestes a colocar as mãos no motoboy Francisco de Assis Pereira, 31 anos, que ficou conhecido em todo o País como o principal suspeito de ser o maníaco do Parque do Estado, em São Paulo. O assassino estaria escondido na casa de um amigo que mora num conjunto habitacional do BNH na periferia de Curitiba. As investigações começaram na sexta-feira, quando a polícia paulista entrou em contato com os policiais paranaenses.
A investigação para localizar o maníaco do parque foi confirmada na noite de ontem pelo diretor geral da Polícia Civil do Paraná, Artur Braga, que acompanha o trabalho de perto. Ele fez questão, no entanto, de não divulgar o nome da delegacia nem do grupo da Polícia Civil que estão trabalhando no caso. Preferimos não dar detalhes sobre o caso, pois tudo ainda é suspeita. Pode ser que a informação não tenha qualquer fundamento, desconversou.
O maníaco do parque, como ficou conhecido, se tornou um dos criminosos mais procurados no País, nas últimas semanas. Ele é um assassino violento que estuprou e matou oito mulheres, dentro do Parque do Estado, na divisa dos municípios paulistas de São Paulo e Diadema. Sete mulheres conseguiram escapar depois de terem sido violentadas.
Em Curitiba, o policial da Delegacia de Vigilância e Capturas, José Cláudio de Assiz, informou ontem que uma mulher telefonou para ele dizendo que teria visto o maníaco do parque nas cavas do Boqueirão. As informações não batiam com a realidade, disse.
O delegado geral disse que policiais de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul também teriam recebido informações de que o assassino poderia estar escondido nestes Estados. Braga afirmou ainda que acompanhou as últimas entrevistas dadas pela família de Francisco Pereira e reparou que eles eram muito humildes. Será que esse rapaz teria dinheiro para fugir para cá? questionou.
Uma das oito possíveis vítimas do motoboy é a londrinense Elisângela Francisca da Silva, 21 anos. Ela teria frequentado uma pista de patinação no Shopping Center Eldorado, no bairro Pinheiros na capital paulista, onde o acusado também frequentava. Elisângela desapareceu no dia 9 de maio. Neste dia ela teria ligado para a tia Geralda Leal Barbosa, com quem estava residindo em São Paulo e dito que iria fazer umas fotos para concorrer a carreira de modelo. A partir desta data nunca mais foi vista. A última pessoa que teria estado com londrinense foi a sua amiga Rosa Maria da Cunha, que a teria deixado na saída do Shopping.
O corpo de Elisângela foi encontrado na última terça-feira totalmente decomposto no Parque do Estado, onde também foram encontrados os corpos das outras vítimas. A indentificação da londrinense somente foi possível porque a Polícia Técnica paulista conseguiu recuperar as digitais do dedo polegar direito, usando o método de reidratação de pele. Ontem à tarde a Folha não conseguiu contado com os familiares, em virtude da falta de referências do endereço onde eles moram na Cidade.


