Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A Polícia Civil de Maringá está investigando ações de grupos de hackers, especialistas em invadir sistemas de informática através da rede de computadores da Internet. Este é o primeiro inquérito aberto no gênero em Maringá. O responsável pelas investigações, delegado do 5º Distrito Policial (5º DP), Emerson Fortunato Abreu, disse que a maior dificuldade está na falta de legislação para crimes de informática. Dependendo do caso, a polícia terá que indiciar por perturbação de trabalho ou violação de segredo.
O caso começou a ser investigado há 20 dias, a partir de denúncias de uma empresa provedora de Internet em Maringá. Segundo Abreu, o líder de um grupo de hacker já foi identificado no inquérito. A polícia está rastreando a participação de outros grupos. ‘‘Os hackers são curiosos e exibicionistas. Por isso, nunca estão sozinhos, até pela necessidade de demostrarem a capacidade de entrar em sistemas’’, diz o delegado.
Diversos materiais, como hardwares, CD’s e disquetes foram apreendidos pela polícia. Para tentar materializar as provas, o 5º DP nomeou dois peritos técnicos. O delegado contou que o laudo inicial já tem 30 páginas, quando normalmente se completa com apenas duas. ‘‘A perícia está confrontando os arquivos e materiais deste hacker com os da provedora para tentar verificar a invasão de sistemas’’, informou Abreu.
O delegado espera o resultado final da perícia para enquadrar o inquérito e lamenta a fragilidade na legislação. Como o Código Penal não contempla a conduta do ‘‘curioso’’, principal função do hacker, a polícia tenta trabalhar por ‘‘analogias’’. ‘‘A perturbação de trabalho é uma delas, já que o sistema da provedora fica congestionado com a presença de hackers’’, explica Abreu. Como os hackers também divulgam senhas para prejudicar empresas e entram em e-mails, a violação de segredo é outra opção.
A polícia também investiga a presença de crackers na cidade, um tipo mais perigoso de hacker, com finalidade mais destrutiva. ‘‘O cracker detona ou copia arquivos e lança vírus com o objetivo único de quebrar sistemas’’, informou o delegado.

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