Polícia procura envolvido em escândalo
Osmani Costa
De Londrina
Uma equipe de investigadores do setor operacional de combate a furtos e roubos da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina está, desde a tarde de ontem, à procura de Fredemax Mota, que se apresentava como assessor da Câmara de Vereadores, para prendê-lo. O mandado de prisão, expedido pela Justiça de Loanda (Noroeste do Paraná), chegou ontem à 10ª SDP por malote, segundo o delegado-adjunto Acácio de Azevedo.
Em Loanda, Mota está sendo acusado de envolvimento com uma quadrilha de ladrões de motores de barco. A polícia daquela cidade prendeu, na última semana, quatro pessoas que seriam integrantes da quadrilha. Eles confessaram vários furtos de motores e apontaram o londrinense como suposto receptador dos equipamentos roubados.
Em Londrina, Fredemax Mota e dois ex-assessores da Câmara, além do vereador Jaci Aguiar (PDT), estão sendo acusados de tentativa de extorsão contra as cooperativas de produtores de leite Cativa, da cidade, e Central Norte, de Apucarana.
O caso conhecido como o escândalo do leite teve início em abril do ano passado. O presidente da Cativa, Osmar Buzinhani, e Alfredo de Carvalho, diretor da cooperativa, denunciaram, por tentativa de extorsão, Fredemax Mota, que se passava por assessor de Aguiar, Aristeu Neves Rodrigues, assessor de Alvair de Souza (PL), e José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB).
De acordo com os denunciantes, os acusados teriam exigido o pagamento de R$ 80 mil (R$ 50 mil da Central e R$ 30 mil da Cativa) para que não fosse divulgado o resultado de laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, que reprovava a qualidade do leite tipo C das cooperativas. Os laudos haviam sido solicitados ao instituto e pagos pela Câmara, através de requerimento feito pelo vereador Jaci Aguiar.
Em depoimento ao delegado do 4º Distrito Policial os três assessores negaram a extorsão e afirmaram que, na verdade, foram vítimas da tentativa de suborno praticada por Buzinhani para omitir os laudos desfavoráveis às cooperativas. Concluído o inquérito policial, os promotores da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) fizeram denúncia contra os três, o vereador Aguiar e o vice-prefeito de Apucarana, José Theodoro, que teria participado dos contatos com a Central Norte. A ação está tramitando na 4ª Vara Criminal. A juíza substituta Oneide Negrão, que preside o caso, não dá entrevista, alegando segredo de Justiça.





