Polícia procura desmanche em mata
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quarta-feira, 16 de agosto de 2000
Maurício Borges De Apucarana 
Policiais do Grupo Águia, que dá apoio à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Curitiba, vistoriaram ontem a mata nativa da Fazenda Urumuru, no município de Lunardelli (110 km ao sul de Apucarana). Existem suspeitas de que o local, mais conhecido como Mata Suíça, com área de 500 alqueires, estaria sendo usado por uma quadrilha que rouba automóveis e utilitários para desmanche.
Esta foi a primeira ação desencadeada pela polícia, depois que a PIC assumiu anteontem a investigação relacionada aos desmanches de veículos em Ivaiporã. Os promotores Vani Antônio Bueno e Rosângela Gaspari revelaram que o trabalho até agora conduzido pela polícia local e o Ministério Público da Comarca, é consistente e aponta para o envolvimento de muitas pessoas com o crime organizado.
Além de integrantes do Grupo Águia, a operação realizada na Fazenda Urumuru, às margens da PR-082, entre Lunardelli e São João do Ivaí, também contou com a participação de homens e viaturas do 10º Batalhão da Polícia Militar de Apucarana, e da 2ª Companhia da PM de Ivaiporã.
Os policiais vasculharam diversas estradas vicinais paralelas à mata, e trilhas de acesso, mas não encontraram vestígios de desmanches. Ainda nesta semana a mata será novamente vistoriada, a partir de um sobrevôo do local.
O presidente da Câmara de Ivaiporã, vereador Luiz Carlos de Oliveira (PTB), confirmou à Folha que recebeu ameaças de morte, através de telefonemas anônimos e bilhetes. Segundo ele, as ameaças ocorreram depois que tentou abrir uma comissão de inquérito (CPI) para investigar denúncias relacionadas a desmanches de automóveis.
Uma fita gravada com depoentes relatando o envolvimento de policiais civis e até do comando local da Polícia Militar foi entregue à promotora Révia Aparecida Peixoto de Paula Luna. Depois disso, o delegado Aparecido Antônio Gregório foi transferido para Assaí. O capitão José Carlos Xavier, também foi afastado. Antes de deixar a cidade, o delegado Aparecido Gragório determinou abertura de inquérito para investigar o teor das gravações e também abriu um processo-crime contra o vereador Luiz Carlos de Oliveira.
O capitão José Carlos Xavier até junho respondia pelo comando da 2ª Companhia da PM. Há informações de que o cargo passou a ser exercido interinamente pelo tenente José Francisco Cardoso. Xavier estaria assumindo um novo posto num batalhão no Norte do Estado.


