MORTE ADMITIDA Polícia procura corpo de cônsul português Investigações levam delegado responsável pelo caso a concluir que Miguel José Fawor foi assassinado por garotos de programa José SuassunaEM BUSCA DE EVIDÊNCIASPeritos examinam o Mercedes Benz Elegance do cônsul Miguel José Fawor, com placa oficial CC 4007 Vânia Casado De Curitiba O consul de Portugal no Paraná, Miguel José Fawor, 42 anos, está morto, segundo afirma a polícia. O delegado Fauze Salmen, da Delegacia de Homicídios, está trabalhando na localização do corpo, que acredita estar nos arredores do Viaduto dos Padres, perto da BR-277, em Curitiba. Para o delegado, o crime foi passional e a identificação dos assassinos é questão de horas. Ele apela para que ajudem a polícia a localizar o corpo através de contato pelo telefone 147 ou 190. O delegado Fauze Salmen passou a noite de ontem em diligências e investigações na procura de dois rapazes que podem ser os assassinos, conforme relato de uma testemunha cuja identidade está sendo preservada. As investigações estão sendo conduzidas pelas polícias Civil e Militar e as equipes passaram toda a noite em boates de Curitiba para encontrar os rapazes, que podem ser garotos de programa. Com base no retrato falado, Salmen adianta que já foi localizada a casa de um dos rapazes, mas ele está viajando por ocasião dos feriados de Carnaval, ‘‘período que dificulta as investigações’’, afirma o delegado. A Polícia Civil descartou a hipótese do cônsul português estar vivo desde a noite de sexta-feira, em função dos detalhes dados pela testemunha, cujos depoimentos foram tomados até as 23h30 da mesma noite e em seguida às 7 horas da manhã de sábado. Também na casa do diplomata, no Batel, os policiais constataram a preocupação de apagar as manchas de sangue com álcool e detergente. Segundo o delegado, foi encontrada uma mancha grande de sangue num móvel da casa, mas as pessoas tiveram o cuidado de cobrir com livros. As investigações na casa do diplomata foram acompanhadas por funcionários do Consulado, que passaram a noite em vigília ainda na esperança de que o cônsul estivesse vivo. Em diligências feitas durante à noite, na casa do cônsul, Salmem disse que não foi encontrado nada desarrumado e o único objeto roubado foi a secretária eletrônica, certamente para dificultar a identificação de pessoas do relacionamento pessoal do diplomata. Fauze encontrou também um peso fora do local dos equipamentos de ginástica, o que leva a crer que Miguel José levou uma pancada. ‘‘São provas contundentes de que o crime foi executado por pessoas do relacionamento pessoal do cônsul’’, salienta. As deduções da polícia foram reforçadas com o depoimento da testemunha, que viu os rapazes no interior do carro do cônsul, um Mercedes Benz Elegance com placa oficial CC 4007, por volta da meia noite de quinta-feira. O carro foi encontrado pela Polícia Militar na Rua Sete de Abril, no bairro Alto da XV, em Curitiba. A testemunha teria estranhado o comportamento anormal dos ocupantes do veículo, que não eram o cônsul Miguel José, conforme afirmou à polícia. A testemunha confirmou que os rapazes inclusive ficaram conversando dentro do veículo com a luz acesa – o que chamou a atenção da testemunha – por cerca de 10 minutos. Depois disso, deixaram o carro e ainda ficaram ao lado conversando por mais cinco minutos. Segundo Fauze, além dos depoimentos e das investigações na casa do diplomata, o período muito longo entre o desaparecimento na noite de quinta-feira e a falta de contato da vítima descarta qualquer possibilidade de ele estar vivo. A polícia está concentrando as investigações na lista de amizades pessoais do cônsul. Com o desaparecimento do diplomata, foi cancelada a programação prevista para ontem em Curitiba, em comemoração aos 500 anos do descobrimento do Brasil. Estava prevista a visita oficial do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Lello, que iria fazer várias visitas a entidades portuguesas na cidade. O objetivo era estreitar os laços com a comunidade portuguesa paranaense.