Polícia prioriza combate ao tráfico e desarmamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de junho de 2002
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
Desarmamento da população e combate ao tráfico de drogas. Essas são as principais medidas, apontadas pelos comandos das polícias Militar e Civil, para solucionar o número crescente de homicídios em Londrina. Ontem, a Folha publicou reportagem mostrando que os acidentes de trânsito deixaram de ser a principal causa de mortes prematuras na cidade e os assassinatos cresceram principalmente entre os jovens, de 20 a 39 anos.
No ano passado, segundo relatório da secretaria municipal de Saúde, os homicídios vitimaram 111 pessoas, contra 72 em 2000. Os acidentes de trânsito fizeram 91 vítimas no ano passado e 90, em 2000. No relatório da polícia, o número de homicídios é maior: 116 no ano passado e 83 casos em 2000.
Segundo o delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Clóvis Galvão, o número de homicídios em grandes cidades aumentou principalmente por causa do tráfico de drogas. O traficante arregimenta pessoas armadas para cuidar da segurança do seu comércio, e existem disputas e conflitos de traficantes por territórios, relatou.
Para o delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Jurandir André, o aumento crescente de crimes contra a vida tem correlação com o tráfico e com o uso de entorpecentes, mas também com a situação social do país. É necessário um trabalho conjunto da sociedade com órgãos governamentais, polícia e segurança pública, na busca de soluções. O que a polícia pode fazer? Dentro da sua competência evitar que o crime ocorra e atender o cidadão, afirmou.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães, acredita que um trabalho de conscientização no trânsito contribuiu para que as mortes se estabilizassem. Ele chamou a atenção para o trabalho preventivo a drogas que a PM vem realizando com crianças (leia texto nesta página). O objetivo é que no futuro essas crianças não se envolvam com drogas. A competência da PM é trabalhar nos efeitos da criminalidade, mas também podemos ajudar a combater as causas, disse.
Segundo a diretora de informações em Saúde, Maria Luiza Iwakura, a diferença no número de homicídios divulgados pela secretaria de Saúde e pela polícia pode acontecer porque nas estatísticas da secretaria só são computadas as vítimas residentes em Londrina. Desde o início do ano, já foram registrados 61 homicídios na cidade.


