Curitiba

Albari Rosa‘Picaretagem’João Adão da Rocha, Antônio Carlos Cidral e Valdir Martins França propunham a empresários vender mercadorias ‘‘extraviadas’’ e tomavam dinheiro das vítimasCinco empresas lesadas e R$ 101 mil de lucro. Este seria o saldo do ‘golpe do chute’ para João Adão da Rocha, Antônio Carlos Cidral e Valdir Martins França. Eles foram apresentados pelo Grupo Tigre ontem à tarde, em Curitiba, acusados de estelionato, sequestro e extorsão. Eles teriam se passado por funcionários do Porto de Paranaguá para negociar cargas supostamente extraviadas e por policiais federais, que prenderiam a vítima por receptação e tomariam o dinheiro dela para livrá-la da cadeia. Há mais três suspeitos.
Todos os homens presos são de Joinville (SC). Segundo o delegado Hertel Rehbein, eles ofereciam às vítimas mercadorias ‘‘sinistradas’’, que já teriam sido pagas pelo seguro, por apenas um terço do valor de mercado. ‘‘O contato da quadrilha era feito com empresários de vários lugares do País’’, disse. Entre eles estavam os proprietários da Divisórias Bauruplac, de Bauru, interior paulista, que vieram a Curitiba para o reconhecimento. ‘‘Os bandidos queriam nos vender 400 rolos de tecido para persiana por R$ 40 mil’’, contou o empresário Adolfo Miltemão.
Os sócios da Bauruplac acertaram o negócio sem desconfiar do preço, bem inferior ao de mercado. ‘‘O pessoal da quadrilha tinha uma conversa envolvente e nos deixou ansiosos pelo negócio’’, justificou Miltemão. Junto com Celso Alarcon e Agostinho Felício, ele se deslocou até Paranaguá, no Litoral do Paraná, para comprar a carga no dia 14 de junho. ‘‘Combinamos o encontro em um posto de gasolina, onde o suposto motorista da superintendência do porto, o ‘Aníbal’, apareceu com dois falsos policiais federais’’, recordou.
De acordo com o empresário, o grupo ameaçou prender todos como receptadores e exigiu o dinheiro do negócio para livrá-los da cadeia. ‘‘Eles levaram o Alarcon para o hotel e bateram nele até revelar onde estavam os R$ 40 mil’’, relatou Miltemão, que registrou queixa em seguida. O caso chegou ao conhecimento do Grupo Tigre, que passou a cruzar informações de crimes semelhantes ocorridos em outras cidades, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Ramilândia (MT).
‘‘Foi a partir daí que chegamos à quadrilha e prendemos parte dela sexta-feira passada, no Centro de Curitiba, quando iam dar outro golpe’’, revelou Rehbein. O delegado informou também que Rocha, Cidral e França tentaram subornar os policiais com dois carros: ‘‘Eles pretendiam trocar um Logus e um Monza pela liberdade’’. Nenhum dos três homens detidos quis falar sobre as acusações. O Grupo Tigre espera prender o que acredita ser o restante da quadrilha ainda nesta semana.

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