Polícia prende três por golpe do chute
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Albari RosaPicaretagemJoão Adão da Rocha, Antônio Carlos Cidral e Valdir Martins França propunham a empresários vender mercadorias extraviadas e tomavam dinheiro das vítimasCinco empresas lesadas e R$ 101 mil de lucro. Este seria o saldo do golpe do chute para João Adão da Rocha, Antônio Carlos Cidral e Valdir Martins França. Eles foram apresentados pelo Grupo Tigre ontem à tarde, em Curitiba, acusados de estelionato, sequestro e extorsão. Eles teriam se passado por funcionários do Porto de Paranaguá para negociar cargas supostamente extraviadas e por policiais federais, que prenderiam a vítima por receptação e tomariam o dinheiro dela para livrá-la da cadeia. Há mais três suspeitos.
Todos os homens presos são de Joinville (SC). Segundo o delegado Hertel Rehbein, eles ofereciam às vítimas mercadorias sinistradas, que já teriam sido pagas pelo seguro, por apenas um terço do valor de mercado. O contato da quadrilha era feito com empresários de vários lugares do País, disse. Entre eles estavam os proprietários da Divisórias Bauruplac, de Bauru, interior paulista, que vieram a Curitiba para o reconhecimento. Os bandidos queriam nos vender 400 rolos de tecido para persiana por R$ 40 mil, contou o empresário Adolfo Miltemão.
Os sócios da Bauruplac acertaram o negócio sem desconfiar do preço, bem inferior ao de mercado. O pessoal da quadrilha tinha uma conversa envolvente e nos deixou ansiosos pelo negócio, justificou Miltemão. Junto com Celso Alarcon e Agostinho Felício, ele se deslocou até Paranaguá, no Litoral do Paraná, para comprar a carga no dia 14 de junho. Combinamos o encontro em um posto de gasolina, onde o suposto motorista da superintendência do porto, o Aníbal, apareceu com dois falsos policiais federais, recordou.
De acordo com o empresário, o grupo ameaçou prender todos como receptadores e exigiu o dinheiro do negócio para livrá-los da cadeia. Eles levaram o Alarcon para o hotel e bateram nele até revelar onde estavam os R$ 40 mil, relatou Miltemão, que registrou queixa em seguida. O caso chegou ao conhecimento do Grupo Tigre, que passou a cruzar informações de crimes semelhantes ocorridos em outras cidades, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Ramilândia (MT).
Foi a partir daí que chegamos à quadrilha e prendemos parte dela sexta-feira passada, no Centro de Curitiba, quando iam dar outro golpe, revelou Rehbein. O delegado informou também que Rocha, Cidral e França tentaram subornar os policiais com dois carros: Eles pretendiam trocar um Logus e um Monza pela liberdade. Nenhum dos três homens detidos quis falar sobre as acusações. O Grupo Tigre espera prender o que acredita ser o restante da quadrilha ainda nesta semana.


