Edson MazzettoFábio de Souza (esq.), Edvaldo da Cunha e Rogério RamosA Polícia Civil de Cascavel apresentou ontem três rapazes presos por uso de alucinógenos e por fornecê-los a menores, em um dos raros flagrantes do gênero. O que mais chamou atenção foi o produto que eles estavam cheirando: impermeabilizante (há várias marcas), de cheiro extremamente forte, usado na construção civil. O produto, até então desconhecido pelos próprios policiais como usual entre cheiradores, substitui a conhecida cola de sapateiro, de venda controlada, ao contrário do impermeabilizante.
Fábio Pereira de Souza, 18 anos, Edvaldo Tomás da Cunha, 22, e Rogério Amorim Ramos, 18 anos, foram presos na Praça Luiz Picoli (zona oeste da cidade), numa ação conjunta da Vara de Menores e da Polícia para retirar das ruas menores em situação irregular.
Ao serem apresentados, Edvaldo negou qualquer envolvimento no caso. Fábio e Rogério disseram que são dependentes, mas negaram passar drogas a menores. O único que trabalha é Fábio, como pacoteiro em um supermercado, mas apenas às sextas-feiras e sábados, ganhando R$ 4,00 por dia. Edvaldo é pai de um filho e conta que trabalhava em uma firma de xérox ‘‘que faliu’’. Rogério era auxiliar na Câmara de Vereadores. ‘‘Dei muito nó e fui mandado embora’’.
Eles declararam que optaram pelo impermeabilizante pela facilidade de adquiri-lo. A composição do produto é similar entre as diversas marcas disponíveis no mercado: resina acrílica estirenada e polueno. Um litro custa R$ 4,00 em uma das principais casas de materiais de construção de Cascavel, onde vendedores dizem já conhecer a preferência dos cheiradores pelo produto.
Para adquiri-lo não há exigência de apresentação de documentos ou de maioridade, como ocorre com a cola. Uma loja tomou a precaução de não vender para menores ou desconhecidos. O vendedor Nelson Alves Ferreira afirma que meninos de rua usam ‘‘até o solvente do impermeabilizante, pois é mais forte’’. Muitas vezes, eles abordam adultos na calçada pedindo que façam a compra. ‘‘Por isso, nós estamos controlando espontaneamente a venda’’, completa.
O patologista Alexandre Galvão Bueno, que atua em laboratório e no Instituto Médico Legal de Cascavel, relata que fórmulas de resinas, solventes e outros, ‘‘têm toxicidade que afeta diretamente o sistema nervoso, podendo ocorrer edema cerebral imediato, com morte’’. O sangue absorve com rapidez os químicos através do pulmão, e fígado e rins são afetados, porque a eliminação é lenta. Pessoas alérgicas a estes produtos são vítimas de risco direto, segundo Alexandre Galvão Bueno.

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