Polícia prende sequestradores e liberta vítima
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Para uma família paranaense, Natal e Ano Novo só serão comemorados agora com o retorno de um dos parentes, que ficou três semanas nas mãos de sequestradores. Quinze quilos mais magro, depois de passar a pão e água, o empresário do ramo de transportes de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), foi libertado por policiais do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial Tigre. O cativeiro era uma casa alugada, no bairro Santa Felicidade, em Curitiba. A ação aconteceu na madrugada da última quarta-feira. Sete homens envolvidos no sequestro foram presos.
O delegado-chefe do Grupo Tigre, Riad Farhat, relatou que o empresário (o nome não foi divulgado pela polícia) foi rendido em seu escritório por volta das 18h30 do dia 14 de dezembro. Foi levado para o cativeiro em seu próprio carro, algemado, vendado e amordaçado. Os sequestradores fizeram contato com a família, pedindo US$ 100 mil (cerca de R$ 270 mil pela cotação de ontem). Somente quatro dias depois da primeira ligação, a polícia foi avisada.
Dois dias depois do sequestro, o veículo do empresário foi abandonado na Rua Visconde de Nácar, no centro de Curitiba. A quadrilha avisou os familiares e os orientou a não vender o carro para levantar o dinheiro, pois queria que o veículo fosse usado para entrega do resgate, que não chegou a ser pago.
Segundo o delegado, o mentor do sequestro seria o ex-sócio do empresário, Ivo José Kegler, 59 anos. Ele está preso na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, junto com o filho Cleverson Kegler, que teria ajudado a planejar o crime. Ele negou, afirmando que apenas resistiu à prisão, atirando contra os policiais. Ivo disse que, apesar de ser amigo do empresário há 15 anos, os dois tinham desavenças, mas não quis explicar os motivos.
Também foram presos o ex-agente da Polícia Militar (PM) Dalberto Luiz da Silva, 40 anos, que seria responsável por cuidar do cativeiro, Gilmar Artigas de Souza, 19, Fabiano Lopes, 23, Wagner Borges da Silva, 21, e Jair Luiz Machado, 36, que foi localizado em Joinville (SC). Os demais estavam em Curitiba e na RM. Com eles foram apreendidas vários celulares e cinco armas, uma delas de uso exclusivo do Exército.
Farhat acredita que esse foi o primeiro sequestro praticado pelo grupo. Apesar disso, reconheceu que o crime foi bem planejado. ''A gente sabe quando está lidando com profissionais ou amadores. Eles dificultaram bastante nosso trabalho'', acrescentou. O negociador fez ligações de diferentes cidades dos três estados do Sul para confundir a polícia.
A polícia está investigando a participação da quadrilha em outros crimes. Segundo o delegado, Ivo teria, em sua ficha criminal, um homicídio em Porto Alegre (RS) e uma tentativa de homicídio em São José dos Pinhais.


