Polícia prende sequestrador da empresária Daniela Lopes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de junho de 1998
Lúcio Horta 
Milton Dória
Reprodução
Jaércio Henrique da Silva: ele foi sequestrador da
empresária londrinense Daniela
Lopes. Fugiu da cadeia no RN e
assaltou posto bancário de CambéJaércio estava
preso no Rio Grande
do Norte. Fugiu e
assaltou BanestadoA Polícia Civil prendeu anteontem à tarde, no jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), Jaércio Henrique da Silva, 33 anos. Ele participou também na segunda-feira do assalto ao posto do Banestado no bairro Santo Amaro, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). Junto com o assaltante foram recuperados R$ 4.019,00 em notas e alguns sacos de moedas, além de um telefone celular.
Jaércio da Silva - conhecido como China ou Baianinho - foi um dos autores do sequestro da empresária londrinense Daniela Lopes, em 18 de maio de 1992. Por esse crime, acabou condenado a mais de 20 anos de prisão e cumpria pena na cidade de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, de onde fugiu recentemente.
O assaltante foi reconhecido pela polícia através de uma gravação realizada pelo sistema interno de vídeo instalado na agência. No momento da prisão, ele estava desarmado e não houve reação. Jaércio contou aos policiais que as armas usadas no assalto - um revólver e uma metralhadora - pertenciam a Daniel Naves, que também participou do assalto ao Banestado e é fugitivo da Colônia Penal de Curitiba.
O delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Abrahão, informou que até ontem a polícia não tinha pistas sobre o paradeiro de Daniel Naves. Abrahão acredita ainda que a dupla possa ser responsável pelo assalto ao Banco do Brasil da avenida Tiradentes, no começo de maio, além de roubo de veículos - inclusive o Vectra utilizado no último assalto - e estabelecimentos comerciais.
Valdir Abrahão estranhou o fato de China estar detido até recentemente, pelo sequestro de Daniela Lopes, numa prisão do interior do Rio Grande do Norte. O crime aconteceu aqui e a pena tinha que ser cumprida aqui também, disse. O delegado acredita que a transferência foi manobra de advogados e a fuga, longe de Londrina, pode ter sido facilitada. Ele acredita que agora as chances de o assaltante voltar para o Rio Grande do Norte são mínimas. Ele deve permanecer em um presídio que tenha segurança, como a PEL (Penitenciária Estadual de Londrina).
Jaércio da Silva confessou à polícia o assalto ao Banestado e disse que a maior parte do dinheiro - cerca de R$ 7 mil em notas e R$ 14 mil em cheques - ficou com Daniel Naves porque ele era o dono das armas. Jaércio garantiu ainda que não houve um terceiro participante do assalto, embora a polícia não descarte a possibilidade.
O delegado Nasser Salmen, de Cambé, declarou à Folha na segunda-feira que os cheques poderão ser usados em Londrina e outras cidades do Paraná e pediu atenção dos comerciantes da região. Ele também reafirmou ontem que estuda pedir a interdição do posto do Banestado assaltado em Cambé. Aquilo é um caixote de vidro e fica dentro de uma galeria, numa área isolada, observou. A estrutura do local não permite segurança.


