Caminhão apreendido estava carregado com 70 mil latas de cerveja, avaliadas em R$ 22 mil; grupo foi flagrado tentando vendê-la
CARGA SUSPEITAA carga foi passada do caminhão fretado para levá-la para outro, que foi apreendido em Foz

Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha

O caminhão Scania cor branca e placa BWD-5210, de uma transportadora de Maringá, foi apreendido na manhã de ontem pela Polícia Civil de Foz do Iguaçu em um bairro próximo à Ponte da Amizade (fronteira com Paraguai), carregado com 5.760 caixas de cerveja. A carga, dada como roubada desde domingo pelo motorista Ermínio Pontes Gonçalves, 38 anos, em Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), na verdade foi transferida para esse caminhão, em Maringá, pelo próprio Gonçalves. Ele e outras cinco pessoas foram presas em flagrante.
Segundo investigação dos policiais, Gonçalves (brasileiro naturalizado paraguaio) carregou seu caminhão, fretado pela transportadora paraguaia Nuestra Señora de Assuncion, em Agudos (SP), onde a cerveja é produzida, para levá-la até Assunção, capital paraguaia. Ao chegar a Maringá, aguardou outras duas pessoas, Samuel Ferreira Rodrigues, 45 anos, e o chileno Antonio Manuel Mac Connel Ordoner, 53 anos, para auxiliá-lo na simulação de um roubo da carga.
Os três disseram que contrataram os serviços da transportadora maringaense Rodocampo, argumentando que o caminhão paraguaio havia quebrado. Depois de transferir a carga, os integrantes da quadrilha seguiram viagem, deixando o veículo ‘‘quebrado’’ abandonado em Terra Boa, e registraram o ‘‘roubo’’ do caminhão em Peabiru, cerca de 25 quilômetros adiante.
Feita a ocorrência policial, eles e mais dois funcionários da transportadora de Maringá foram para Foz na tentativa de vender a mercadoria por um preço menor que o valor de mercado. As 26 toneladas de cerveja estão avaliadas em R$ 22 mil e deveriam ser vendidas na fronteira por R$ 12 mil.
Silvio Galeano Faust, 40 anos, o sexto suspeito de pertencer à quadrilha, mora em Foz do Iguaçu e seria encarregado de vender a mercadoria. Todos foram autuados em flagrante tentando vender a carga para uma mercearia da Vila Portes.
Everton Bertelli, 43 anos, dono da Transportadora Rodocampo, viajou para Foz depois que ficou sabendo da prisão de seu irmão, Willian Bertelli, 34 anos, que viajava com a quadrilha. O empresário afirmou que Willian e Gilvan Rodrigues, 28 anos, não sabiam que a carga era roubada. ‘‘Eles foram apenas contratados para transferir a carga do caminhão quebrado e levá-la até Foz. O frete custou R$ 900,00, mas só a dor de cabeça custou muito mais que isso’’.
Um dos superintendentes da Polícia Civil, Gilson de Oliveira contesta a afirmação do empresário. ‘‘Parece-me uma atitude muito inocente a dele, já que o pessoal viajou com a nota fiscal original onde informava que um caminhão com placas paraguaias levava o produto’’, ponderou Oliveira. Ele disse ainda que todos os dados precisam ser investigados, antes de confirmar qualquer envolvimento de terceiros.
Valmir Zago, gerente da transportadora paraguaia, foi até a central da Polícia Civil em Foz para identificar a nota fiscal. Ele disse que esse foi o terceiro roubo ocorrido em menos de três meses. ‘‘Até agora já perdemos mais de US$ 30 mil’’, admitiu. Zago suspeita do envolvimento de funcionários da própria empresa, que possui filiais em São Paulo e Foz do Iguaçu.

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