Polícia prende mais uma quadrilha do golpe do emprego
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Marcelo Almeida
Reprodução
Mercadores de ilusãoLuiz Paulo Santana Barros, Adriano Chocuiski Dibas e Fernando Medeiros (acima) trabalhavam no escritório da Sulpostal em Curitiba e admitiram saber que a empresa lesava os interessados na proposta divulgada através de jornais e malas postais. O dono da empresa, Carlos Alberto Freitas Cabral (foto de baixo), está foragido e com prisão preventiva decretadaMais uma quadrilha de estelionatários que aplicavam o golpe do emprego fácil foi identificada pela polícia de Curitiba. É a segunda esta semana. Desta vez, foram presos três funcionários da empresa Sulpostal Marketing S/A, que usava anúncios em jornais e malas diretas para atrair pessoas que, em troca da falsa promessa de trabalhar sem sair de casa, pagavam para se cadastrar. O dono da empresa, Carlos Alberto Freitas Cabral, está foragido e com prisão preventiva decretada. A polícia acredita que ele lesou mais de 10 mil pessoas, em vários estados.
Foram presos Luiz Paulo Santana Barros, de 49 anos; Adriano Chocuiski Dibas, 28; e Fernando Medeiros, 23. Os três trabalhavam no escritório da Sulpostal, no bairro das Mercês, e admitiram ter conhecimento de que a empresa lesava os interessados na proposta divulgada. Barros disse que trabalhava na empresa há dois anos e que quando foi contratado o golpe já era aplicado há algum tempo.
Além de anunciar em jornais, a Sulpostal comprava cartas dirigidas a promoções de programas de televisão para formar um cadastro de pessoas, às quais enviava correspondência propondo trabalho. O material de divulgação era elaborado em papel de primeira qualidade. Incluía uma fotografia de Carlos Cabral, uma mensagem assinada por ele e a reprodução de um suposto compromisso público, que teria sido firmado em cartório, pelo qual a Sulpostal se comprometia a devolver o valor da taxa de adesão caso a pessoa desistisse do trabalho.
Segundo o delegado Fauze Salmen, do 7º Distrito Policial, o valor da taxa variava entre R$ 9,90 e R$ 56,00. A oferta de traballho era dividida em duas etapas: na primeira, a pessoa deveria revender produtos do catálogo da Sulpostal, que incluía cosméticos e material para pescaria. Algumas pessoas chegavam a receber o material, mas a maioria não recebia nada, contou Luiz Barros. Após essa fase de preparação, o interessado passaria a fazer serviços de cadastramento e expedição domiciliar, pelos quais a empresa prometia pagar até R$ 775,00 mensais.
De acordo com Salmen, o golpe foi descoberto a partir de denúncias feitas ao 7º DP depois que a Delegacia de Proteção ao Consumidor desmantelou outra quadrilha parecida, no início da semana. A primeira quadrilha, liderada em Curitiba por José Antônio de Lacerda Filho, atuava em nove estados brasileiros e calcula-se que tenha lesado cerca de 6 mil pessoas.


