Curitiba
Já estão presos os principais acusados pela morte da menina Érika Bianca Silvestre Maia, de seis anos, por traumatismo craniano decorrente de espancamento. O padrasto da criança, Rogério Dobrovolski, 31 anos, e a mãe dela, Ermínia Silvestre Maia, 23 anos, foram apresentados ontem, na Delegacia de Polícia de Pinhais, como os responsáveis pela violência. Segundo o delegado José Carlos de Oliveira, o casal vai ser indiciado por maus tratos, omissão de socorro e abandono.
Dobrovolski e Ermínia, grávida de oito meses, foram detidos por volta das 23h30 de terça-feira, quando voltavam para casa, na Vila Maria Antonieta, em Pinhais. Na residência, os policiais encontraram uma corda de náilon, uma pedaço de arame e ripas de madeira, materiais que teriam sido usados para prender e espancar a menina. O padrasto negou que tivesse surrado a criança. ‘‘Ela estava tomando sopa, caiu da cadeira e bateu a cabeça’’, disse ele, com tranquilidade.
Os acusados também negaram ter abandonado a criança, encontrada agonizante em um terreno baldio do bairro Vargem Grande na manhã de terça-feira. ‘‘A gente ia buscar ajuda, mas eu não conseguia mais carregar a menina e minha mulher também passava mal’’, contou Dobrovolski. ‘‘Deixamos a Érika ali e fomos ligar de um ‘orelhão’ para o Hospital Pequeno Príncipe. Quando voltamos, ela não estava mais lᒒ, completou. O delegado contestou essa versão.
De acordo com Oliveira, o casal espancou a menina e a abandonou. ‘‘Eles passaram na frente do pelotão da Polícia Militar, onde poderiam receber ajuda’’, afirmou. O delegado também falou sobre o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que confirmou hematomas, queimaduras e marcas de pontas de cigarro espalhadas pelo corpo de Érika. ‘‘Não houve estupro porque o hímen estava intacto, mas o exame constatou lesões anais graves. É o crime mais hediondo que vi na minha carreira’’, relatou.
Os outros cinco filhos de Ermínia foram levados para o Educandário Santa Felicidade, onde vão ficar à disposição do Juizado de Menores. A mulher confessou que eventualmente batia nas crianças para discipliná-las. ‘‘Eu amarrava a Érika porque ela era deficiente mental e tinha um comportamento agressivo’’, admitiu. Dobrovolski também reconheceu que ‘‘às vezes’’ batia na menina pelo mesmo motivo. ‘‘Ela mordia as próprias mãos e arrancava a pele’’, afirmou.
O delegado Oliveira informou que Érika era mantida em cárcere privado: ‘‘Ela ficava amarrada em um quarto onde a comida se misturava às fezes e à urina da criança’’. Ele quer tirar o casal da delegacia o mais rápido possível. ‘‘Temo que haja um clima de revolta contra o crime e o prédio seja invadido por pessoas que queiram linchar os dois’’, justificou. A autorização judicial para a remoção saiu no final da tarde. Dobrovolski foi levado para a Prisão Provisória do Ahú. Ermínia, para o Presídio Feminino.

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