Polícia prende homem que reclamava de caça-níquel
James Alberti
De Curitiba
As polícias Militar e Civil do Paraná ignoraram portaria do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que determina o recolhimento das máquinas caça-níqueis no País, mas estão espalhadas na cidade. No entanto, algumas delas possuem liminar para operar.Prova disso é a detenção do pintor Adriano Peples, 25 anos, que havia quebrado uma máquina destas que estava num bar da rua João Gualberto, bairro Centro Cívico, em Curitiba. Após conversar com seu advogado, o pintor resolveu não dar entrevista à Folha, alegando medo de represálias da polícia. Eles têm meu endereço e eu tenho família, afirmou.
Bêbado, Peples apostou cerca de R$ 25,00, disse ter ganho, mas a máquina não teria entregue o dinheiro. Com raiva, ele derrubou o equipamento e chamou a polícia, para denunciar o que considerava uma contravenção penal. Mas, acabou preso por soldados do 12º Batalhão da Polícia Militar, que atenderam a ocorrência.
O pintor foi levado pelos PMs ao 4º Distrito Policial, onde foi detido. A liberação somente ocorreu horas depois da prisão, com a intervenção de uma funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil, sub-seção Curitiba, que conhecia o pintor.
Um investigador do 4º distrito, que trabalhava no plantão de anteontem, confirmou o caso à Folha. Segundo ele, o pintor foi liberado porque o dono da máquina não quis registrar queixa. Eles acertaram entre eles, disse. Como não tem vítima, não tem crime, não tem nada. A máquina não foi apreendida, apesar do policial civil saber que o jogo era ilegal. Me parece que é ilegal, não sei nem porque o técnico da empresa mandou trazer esse cara aqui, falou. Mas eu estou quieto aqui no meu cantinho.
O dono do bar onde estava instalada a máquina não quis dar entrevista nem revelou seu nome. Ele confirmou que o caça-níquel estava no estabelecimento. O comerciante afirmou que não conhece o dono da máquina, mas apenas o técnico, o qual não revelou o nome. Após negar-se a fornecer o número do telefone do técnico, o comerciante disse que iria acionar o responsável para falar com à Folha. Até o fechamento desta edição, nenhum contato havia sido feito.
O delegado geral João Ricardo Képes Noronha foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado. Sua assessoria não retornou ligação telefônica.





