Polícia prende funcionários do Detran
A Polícia Civil de Ponta Grossa prendeu na noite de segunda-feira o chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Boa Esperança do Iguaçu (86 km ao norte Francisco Beltrão), Anderson Cleber Valezi e o funcionário da Ciretran de Goioerê, Francisco Monteiro de Souza. Há suspeita de que eles integram uma quadrilha que está agindo em todo o Paraná, liberando irregularmente veículos financiados.
Segundo informações do delegado-operacional Marcos Vinícius Sebastião, o golpe começa quando um integrante da quadrilha consegue o financiamento de um veículo, usando documentos falsos. Com a documentação do financiamento em mãos, o integrante da quadrilha se dirigia até Boa Esperança ou Goioerê e lá apresentava uma carta da entidade financiadora, dizendo que o financiamento estava concluído. Essa carta, no entanto, é falsa.
Dessa forma, a Ciretran expedia novo documento, tornando o carro desalienado. O veículo então era vendido em outras regiões do Estado e o dinheiro repartido entre os envolvidos. Os funcionários da Ciretran ganhavam de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, dependendo do modelo do veículo. A prisão dos funcionários é temporária. O delegado também está com o mandado de prisão de outras três pessoas que podem estar envolvidas no esquema. Uma delas é de Curitiba, outra de Londrina.
A diretora de operação do Detran, Elaine Kawa, disse que o funcionário Anderson já havia sido denunciado e o Detran está iniciando uma sindicância para apurar os fatos. Mas o inquérito policial acabou sendo instaurado antes da sindicância. Segundo ela, existem denúncias de liberação de veículos sem a assinatura da financiadora em várias outras regiões do Paraná, porém sem o envolvimento de funcionários do órgão.
Nem a polícia, nem o Detran, sabem dizer quantos veículos teriam sido liberados irregularmente no Paraná. A polícia já tem conhecimento de dois casos, um deles é um Fiat Maréa, que foi vendido para São Paulo e está sendo confiscado pela Justiça. O outro é um Gol que foi comprado por uma pessoa de Ponta Grossa. Ao tentar registrar o veículo, o ponta-grossense descobriu que havia alguma irregularidade. Ele procurou um advogado e entregou o veículo à polícia. No entanto, perdeu os R$ 11 mil que pagou pelo carro.





