James Aberti
De Curitiba
O conferente de mercadorias Cleverson dos Santos, 21 anos, confessou ontem ter feito o disparo que matou o estudante e torcedor do Coritiba Alessandro de Lima Gonçalves, 16 anos, no sábado passado. O crime aconteceu por volta de 21h15, na Rua Raul Pompéia, bairro Itatiaia, em Curitiba. Alessandro voltava para casa depois de assistir a partida da final do campeonato paranaense e foi morto por ‘engano’. Preso pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) na madrugada de segunda-feira, o conferente disse ter matado o estudante porque pensou ele fosse integrante do Comando Terrorista Caiuá, uma gangue da Vila Caiuá que briga com os Fanáticos do Itatiaia, do bairro Itatiaia.
Além de Santos, foi preso o auxiliar de marceneiro Vanderlei Freitas de Deus, 26 anos, que confessou ter fabricado e jogado a bomba caseira contra o ônibus no qual estava Alessandro. Cerca de dez jovens atacaram o coletivo. Houve pânico e corre-corre. Passageiros e o motorista correram para se alojar no módulo policial do bairro. O estudante levou um tiro no peito depois de sair do veículo e correr em direção ao conferente, que estava armado com um revólver 38.
No Cope, Santos disse que não estava com o grupo que atacou o ônibus, mas que ficou sabendo do tumulto pela avó. O conferente teria então se armado e ido em direção ao local, quando se encontrou com Alessandro e três amigos, todos vestidos com a camisa do Coritiba. Segundo Santos, os integrantes do Comando Terrorista Caiuá também estariam vestindo camisas do clube. Sem pensar, Santos atirou.
Apesar de ter sido detido 24 horas depois do crime, o delegado do Cope, Mário Ramos, disse que Santos está preso em flagrante. Segundo Ramos, para chegar aos acusados dois agentes, Leomir Murbach e José Carlos Fagundes, foram ao enterro do jovem e depois ficaram dois dias investigando o caso. Foram informações obtidas por eles que levaram a polícia até Vanderlei de Deus. Depois de confessar a fabricação das bombas, o auxiliar de marceneiro disse aos agentes que Santos tinha feito o disparo que matou Alessandro.
Sem antecedentes criminais, o conferente será indiciado por homicídio doloso e pode pegar entre 12 e 30 anos de prisão. ‘‘Eu estou ferrado. Foi burrice minha’’, disse ele, que chorou e afirmou estar arrependido. Vanderlei não demostrou arrependimento. Conforme Ramos, ele já tem passagens por lesões corporais, roubo e furto. Ele vai será enquadrado por participação no homicídio.

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