Pelo menos três funcionários e ex-funcionários da Concessionária Cipasa, de Londrina, poderão ter os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça a pedido do delegado do 1º Distrito Policial, Marcos Belinati, que preside o inquérito sobre o assassinato do proprietário da empresa, Ciro Frare, 67 anos. O empresário foi morto a tiros no dia 24 de junho pelo então diretor da Cipasa, Ibrain Jose Barbino, 55 anos. O delegado já havia tomado a mesma medida contra o autor confesso do homicídio mas a Justiça ainda não analisou o pedido. A suspeita é que um suposto desvio de R$ 3,7 milhões na empresa, que teria ocorrido a partir do ano 2000, possa ter sido a motivação do crime.
Segundo o delegado, uma auditoria nas contas da Cipasa iniciada há alguns dias, por determinação da família de Frare, já teria encontrado ''indícios de irregularidades''. O trabalho dos auditores deve durar pelo menos mais um mês. Em depoimento prestado anteontem à Polícia Civil em Curitiba, o filho do empresário morto, Alexandre Frare, declarou que o pai já desconfiava de supostos desvios na empresa mas jamais teria suspeitado de Barbino, ''que era o seu homem de confiança''. Um dia antes do crime, segundo o depoimento do filho, Frare teria conversado por telefone com Barbino e relatado suas desconfianças. A íntegra do depoimento de Alexandre deverá ser recebida por Belinati na próxima segunda-feira.
Em razão das suspeitas de irregularidades, o delegado irá pedir nos próximos dias a quebra dos sigilos bancário e fiscal de funcionáriso e ex-funcionários. Isso porque, segundo o delegado, se Barbino tiver envolvido ele não teria agido sozinho. ''Nosso objetivo não é apurar se houve ou não desvio. Pretendemos, com o pedido, demonstrar que esses desvios podem ter motivado o crime'', comentou o delegado.
Belinati já ouviu pelo menos 30 pessoas no inquérito que apura a morte do empresário. Na próxima semana, deverá intimar funcionários de empresas vizinhas à Cipasa que teriam visto Barbino sair correndo logo após o crime. Ontem, o delegado revelou que um denunciante anônimo informou que o diretor teria se refugiado em um hotel de Londrina para se livrar da prisão em flagrante.
A Polícia Civil também instaurou outro inquérito, conduzido pelo delegado-operacional Márcio Vinícius Amaro, para investigar a situação de um veículo Saveiro apreendido horas depois do crime em uma propriedade de Barbino. O carro estava montado em um chassi de um Gol furtado em 1983 cuja queixa teria sido feita pelo próprio ex-diretor em agosto daquele ano e possuía placas de uma Parati. Em entrevista publicada na edição de ontem da Folha, o advogado da família de Frare, Marcelo Marques Munhoz, informou também que havia ingressado, em Curitiba, com uma ação de reparação por danos morais e materiais contra Barbino.
A reportagem tentou contato por telefone com o advogado de Barbino, Antônio Amaral, mas as ligações não foram atendidas e a caixa-postal não estava ativada.

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