Polícia pede prisão de estelionatário
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2002
Célia Baroni Reportagem Local 
Piraí do Sul - A delegada de Piraí do Sul, Bianca Bueno, entrou ontem com o pedido de prisão provisória de João Batista Calderon, acusado de estelionato. De acordo com a polícia, ele faz parte de uma quadrilha que vem agindo no Norte Pioneiro e sul de São Paulo aplicando vários tipos de golpes. Entre eles, o conhecido 3X1 (três por um), quando o estelionatário seduz a pessoa com uma proposta de trocar dólares por reais com uma margem de lucro muito acima do câmbio normal.
Ontem de manhã apareceu mais uma vítima do suposto estelionatário. Uma família de Wenceslau Brás, que estava em Londrina, reconheceu Calderon em foto de um jornal da região e procurou a delegacia da Polícia Federal. Em junho do ano passado, a família de descendentes de japoneses perdeu US$ 25 mil para Calderon. O dinheiro representava toda a economia dos filhos que trabalham no Japão há vários anos. A família não quis dar entrevista à imprensa.
Na PF em Londrina, as vítimas foram informadas que a Polícia Federal não pode atender a este tipo de caso porque não envolve uso de dinheiro falsificado. O estelionatário entregou à família uma pasta com notas de reais usadas para propaganda. As quadrilhas fazem isto para não envolver a Polícia Federal e o crime ficar limitado à ação da Polícia Civil como estelionato, afirma o delegado-chefe da Polícia Federal, João Luiz do Prado.
A delegada de Piraí do Sul informou que, de acordo com os depoimentos, a família já tinha feito dois negócios com Calderon que se fazia passar pelo nome de José Augusto e dizia ser de Brasília. Como tudo correu bem, eles acreditaram que ele era confiável.
No contato feito por telefone, Calderon disse que não poderia ir pessoalmente, mas mandaria um representante de Ponta Grossa, chamado José Carlos. Na hora da troca, o estelionatário abriu rapidamente a pasta com as notas falsas, pegou os dólares e, com a desculpa de que iria buscar o que estava faltando, fugiu.
Ao perceber a demora, o representante da família tentou abrir a maleta, mas ela estava lacrada. Uma vez aberta, eles descobriram que nela havia pacotes de notas de R$ 50,00 presos com um papel igual ao selo usados pelos bancos cobrindo a tarja de propaganda.
Calderon chegou a ser preso pouco depois de ter aplicado o golpe na família de Wenceslau Brás. Ele foi detido em Santo Antônio da Platina acusado de ter praticado dois golpes; um em Cambará e outro em Ourinhos, mas acabou sendo liberado porque, segundo o delegado daquela cidade, não houve flagrante.


