Polícia pede exame para acusada de matar filhos
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sexta-feira, 26 de abril de 2002
Maranúbia Barbosa Reportagem Local 
Porecatu - O delegado da Polícia Civil de Centenário do Sul (91 km ao Norte de Londrina), Manoel Pelisson, vai pedir o exame de sanidade mental da trabalhadora rural Maria das Dores da Silva, que afirmou ter assassinado cinco filhos recém-nascidos. Uma ossada que, segundo ela, seria de um dos bebês, foi encontrada no quintal da casa da família, em Lupionópolis (101 km ao norte de Londrina), no começo da semana. Em depoimento exclusivo à Folha, anteontem, Maria das Dores disse que um bebê achado no lixão da cidade dentro de uma sacola, em 1999, é o filho que ela matou após o parto. Há suspeita de que ela esteja grávida pela oitava vez.
Maria das Dores está presa em Porecatu (85 km ano no norte de Londrina), acusada de matar Manoel Hipólito dos Santos, 67 anos, cujo corpo foi achado em uma fossa, no quintal da casa dela. Do lado oposto da casa estava uma pequena cova com a ossada que pode ser de um dos bebês. O material será examinado pelo Instituto Médico Legal (IML) na semana que vem.
Outro filho, segundo Maria das Dores, foi enterrado em um cafezal. Dois bebês teriam sido mortos em Matão (SP), em 1994 e 1995. Ela tem um casal de filhos vivos, com 10 e oito anos, que moram com a mãe dela, em Lupionópolis.
A complexidade do caso de Maria das Dores surpreendeu os delegados envolvidos. Em depoimento ao delegado de Porecatu, Fátimo de Siqueira, e também a Pelisson, ela disse que precisava confessar porque tinha pesadelos constantes. De acordo com Pelisson, a aparente frieza com que ela se expressa leva a pensar que ela foi acometida pelo que a medicina legal chama de estado puerperal período de insanidade mental temporária. Segundo ele, nesse estado o infanticídio é ininmputável.
Em entrevista à Folha, Maria das Dores afirmou que não tinha amigos a quem pedir ajuda sobre o que sentia depois dos partos. As gestações, uma atrás da outra, seriam para convencer a si própria que aquilo não aconteceria mais. A relação que mantinha com a mãe Elenira Ferreira de Souza, segundo ela, era precária e elas não tinham diálogo.
Elenira disse que muitas vezes questionava a filha sobre o crescimento da barriga. Ela respondia que era cisto ou então anemia. Segundo ela, as pessoas em Lupionópolis perguntavam sobre possíveis gestações da filha, que os familiares desconheciam.
Conforme Pelisson, Maria das Dores também teve passagem pela polícia em Matão, acusada de esfaquear o pai da filha T. A polícia daquela cidade será informada a respeito do depoimento dela e deverá empreender investigações nos locais onde os bebês podem ter sido enterrados.


