Polícia pede apoio das torcidas pelo fim do vandalismo
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Guilherme Pupo 
Da Sucursal
Marcelo AlmeidaMesa redondaChefes de torcidas organizadas e autoridades policiais em reunião, ontem, para troca de informações: trabalho de marketingA Polícia Civil do Paraná quer contar com o apoio das torcidas organizadas de futebol para identificar as pessoas que praticam atos de vandalismo em dias de jogos. A idéia foi discutida ontem, durante uma reunião entre representantes das torcidas, polícia, Urbs (responsável pelo transporte coletivo da cidade) e clubes de futebol.
O objetivo é fazer uma troca de informações para combater os índices de violência registrados após os clássicos de futebol. Os diretores das torcidas ficariam responsáveis por denunciar pessoas que estejam incentivando a violência dentro dos estádios. Vamos fazer um trabalho de marketing contra a violência e auxiliar a polícia a identificar os maus elementos, diz o presidente da torcida organizada Os Fanáticos (do Atlético Paranaense), José Carlos Beloto.
A Polícia Civil também está fazendo um trabalho de investigação nos bairros para levantar dados e descobrir os autores de vandalismos. A operação está sendo coordenada pelo delegado chefe da Divisão Policial da Capital, Silvan Rodney Pereira. Segundo ele, seis delegados estão participando na coleta de informações.
No jogo da próxima terça-feira entre Atlético e Corinthians, 80 policiais civis vão estar infiltrados no Estádio Pinheirão para identificar possíveis vândalos.
O diretor-geral da Polícia Civil do Paraná, Tolebe Baleche, também sugeriu que as torcidas exijam mais documentos para cadastrar novos associados, como uma ficha de antecedentes criminais. Hoje, é exigido um comprovante de endereço e, no caso de menores, a autorização dos pais. Precisamos buscar as origens da violência nos estádios, observa ele.
A polícia também deve reforçar o esquema de segurança nos bairros do Pilarzinho, Barreirinha, Santa Felicidade e Campina do Siqueira, onde aconteceu o apedrejamento de ônibus nos últimos jogos. Nunca havíamos registrado ocorrências de vandalismo nessas regiões e agora temos que ficar atentos, diz Tolebe Baleche.
O presidente da Urbs, Fric Kerin, comenta que cerca de 700 ônibus já foram depredados desde janeiro. No ano passado, 2.993 veículos foram atingidos por pedradas. Segundo ele, os gastos com o conserto dos carros não é tão representativo dentro da receita do transporte coletivo municipal. Em 96, foram gastos R$ 82 mil com os reparos, enquanto a receita obtida foi de R$ 220 milhões. O maior problema é o transtorno causado no dia seguinte aos jogos, quando não temos condições de atender à demanda de passageiros.


