Polícia pede a prisão de envolvida
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Maurício Borges Apucarana 
O delegado João Batista Pinto, da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, concluiu ontem o inquérito sobre o sequestro do fazendeiro Paulo Akira Kishino, 65 anos, de Rio Bom (40 km ao sul de Apucarana). Kishino foi sequestrado perto da Fazenda Boa Esperança, e mantido como refém durante 16 dias, numa barraca, em meio a uma mata em Marilândia do Sul.
Pinto pediu também a prisão preventiva de Luzia Cordeiro de Paula, 29 anos, esposa do sequestrador Pedro Benedito da Silva, 34 anos, morto no cativeiro pelo Grupo Tigre, durante o resgate de Kishino, em 2 de agosto.
Nas investigações, a polícia descobriu que Luzia tinha conhecimento de todos os detalhes do sequestro e até acompanhava os telefonemas que eram feitos para a família de Kishino, na negociação, pedindo R$ 1 milhão de resgate. Ela desapareceu de sua casa, no Bairro do Tanque, em São Bernardo do Campo (SP), logo depois da prisão do espanhol Rozendo Catala Y Lucas, 45 anos, também envolvido no sequestro.
Catala foi preso na madrugada de 2 de agosto, quando se preparava para dar um novo telefonema à família Kishino. Flagrado em um telefone público, em São Bernardo, o espanhol, que mora há 12 anos no Brasil, confessou seu envolvimento no sequestro e indicou o local do cativeiro. Ele permanece preso no minipresídio de Apucarana.
O inquérito policial foi concluído em 10 dias. Também juntamos ao inquérito os laudos do Instituto de Criminalística, referente às armas que estavam de posse dos sequestradores, e ao levantamento do local que serviu de cativeiro, disse o delegado. Ele aguarda ainda a degravação (texto com os diálogos) das fitas dos telefonemas feitos à família Kishino, além do laudo de necrópsia dos dois sequestradores mortos.
Rozendo foi enquadrado por crime de extorsão mediante sequestro e formação de quadrilha. De acordo com os artigos 159 e 288 do Código Penal, Catala pode ser condenado a uma pena de 13 a 23 anos de reclusão. O delegado afirmou que será muito difícil apurar se o sequestro teve ou não um mandante.


