Polícia paraguaia prende despachante
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Edna Mendes 
A Polícia Nacional do Paraguai prendeu anteontem, em Ciudad del Este, a despachante Sonia Elizabeth Ayala Caniza, 24 anos, que está sendo acusada de participar de um esquema de venda de documentos falsificados para estrangeiros que vivem na cidade. A prisão de Sonia foi decretada pelo juiz Victor Raul Benitez Rodas.
Ele pediu a prisão da paraguaia para averiguação do suposto envolvimento dela com organizações terroristas árabes que atuariam na fronteira.
Desde a semana passada, o serviço de inteligência da Polícia Nacional do Paraguai e o Ministério Público vêm realizando operações para identificar árabes que vivem na fronteira e possam pertencer a organizações terroristas, em especial ao grupo terrorista Hizbollah.
A despachante paraguaia foi presa quando se preparava para entregar uma carteira de identidade permanente falsificada para a libanesa Rima Kssen Hamdoun.
Com ela, a polícia também apreendeu 17 fotografias, talonários de recibos e formulários para solicitação de certificado de residência (documento de uso exclusivo da polícia), além de uma série de outros documentos.
No momento da prisão, Sonia afirmou à polícia que recebe constantes ameaças por parte de funcionários do Departamento Geral de Migração para que não fale sobre o esquema porque se trata de uma máfia muito grande e bem organizada.
A participação da paraguaia levantou suspeitas da polícia porque ela teria sido presenteada com vinhos e tapetes pelo xeque (sacerdote da religião muçulmana) Charif Mohamad Al Said, que também foi preso na semana passada com documentos falsos e acusado de participar de células terroristas.
A políca acredita que o xeque presenteou Sonia em troca do documento. Mas o xeque assegurou que pagou US$ 450,00 pelo documento ao Departamento Geral de Migração.
Sonia Caniza disse ainda à polícia que trabalha como despachante para o departamento e que vários funcionários do órgão recebem propina de estrangeiros para conceder documentos falsos a estrangeiros. Ela afirmou que não sabia que os documentos eram falsificados, já que são emitidos pelo Departamento Geral de Migração.
Apesar de não ter sido comprovada a suposta participação do xeque com o terrorismo, ele será expulso do Paraguai porque portava documentos falsos. Outros cinco árabes também foram presos durante as operações. Eles foram liberados em seguida porque apresentaram documentos legais.
Desde 1994, quando um atentado terrorista a uma associação de judeus em Buenos Aires matou 86 pessoas, as autordades da fronteira levantaram suspeitas sobre a existência de células terroristas na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina).


