Polícia ouve testemunhas de chacina
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segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Ibiporã A Polícia Civil de Ibiporã descobriu ontem que o agricultor Milton Fernandes da Costa, de 54 anos, uma das três vítimas do episódio que vem sendo chamado de Chacina do Sítio da Torre, avalizou um empréstimo no valor de R$ 15 mil feito pelo cunhado José Carlos da Silva, 42, no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. De acordo com o delegado Marcos Belinati, a tese de que o crime tenha sido motivado por causa de dívidas ganhou força. ''A primeira parcela venceu e como o José Carlos não quitou, o Milton teve que pagar. Mas em momento algum ele chegou a cobrar essa dívida'' relatou o delegado.
Na quarta-feira passada, José Carlos, também agricultor, inexplicavelmente invadiu a casa dos pais da mulher, no Sítio da Torre, e matou a tiros a sogra e dois cunhados. Além de Milton, a mulher dele, Maria Lurdes Fuschiani, 47, e a mãe dele, Ermelinda Zelian Costa, 80, foram mortos. Duas pessoas sobreviveram. José F. Costa, 81, pai de Milton, foi atingido no rosto, esteve internado no Hospital Universitário de Londrina, mas recebeu alta e está fora de perigo. O professor Rodrigo F. Costa, 27, filho do casal assassinado, se preparava para dormir no final daquela noite. Ouvindo os tiros, pulou a janela do quarto e fugiu. ''Ele fugiu para o meio do mato e avisou a polícia e parentes'', contou o delegado. Após a chacina, José Carlos voltou pra casa e atirou contra o queixo. Ficou internado e morreu na madrugada de sábado na UTI do Hospital Evangélico, em Londrina.
O professor prestou ontem depoimento e revelou que o pai foi avalista de José Carlos. Ele afirmou ainda, de acordo com o delegado, que Milton nunca cobrou o cunhado pela dívida. ''Pelo depoimento, o Milton sempre ajudou o José Carlos em várias oportunidades e nunca cobrou por isso'', disse. Rodrigo negou a versão de que o agricultor batia com regularidade na mulher. ''Ele desmetiu isso, mas disse que ele tinha um comportamento estranho e que era meio estourado''.
Belinati afirmou que pretende avançar ainda mais nas investigações a partir do depoimento do aposentado atingido no rosto e da mulher de José Carlos, que está fora da cidade.


