Polícia ouve principal alvo de atentado
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segunda-feira, 09 de março de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A peça-chave do atentado à bomba que deixou uma mulher morta na semana passada em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foi ouvida na tarde de ontem na delegacia do município. Além de Valdimir Martins Vidal, 48 anos, alvo principal do crime que resultou na morte de sua mulher, Rute Cordeiro Vidal, de 48 anos, outros familiares e vizinhos das vítimas deram seu testemunho na delegacia.
A reportagem não teve acesso ao teor dos depoimentos de ontem. Valdimir havia dito à polícia que desconfia que o atentado foi cometido pelos mesmos traficantes que executaram, no dia 21 de fevereiro, um de seus irmãos, dentro de um bar no mesmo município. Nos últimos quatro anos, outros quatro irmãos de Valdimir foram assassinados por traficantes da região. Todos seriam envolvidos com o tráfico de entorpecentes.
A hipótese de que o atentado tenha sido cometido pela mesma quadrilha é uma das linhas de investigação da Polícia Civil de Rio Branco do Sul, que trabalha também com a possibilidade de que a morte tenha sido causada por acerto de contas com Valdimir. De acordo com o delegado que investiga o caso, Kleudson Moreira Tavares, ele também estaria envolvido com tráfico.
Segundo Tavares, há indícios de quem sejam os traficantes que Valdimir acredita serem os responsáveis pela explosão. Eles já foram indentificados e os mandados de prisão já foram expedidos pelo crime de tráfico de drogas, mas não pela morte de Rute. "Estamos na cola deles", diz o delegado. Tavares, no entanto, ainda não tem provas de que a quadrilha seja responsável por ter atirado uma bomba contra a casa de Valdimir na madrugada da última quinta-feira.
Enquanto investiga a autoria do atentado, a polícia lida com muitas outras perguntas sem respostas. Atualmente, Valdimir responde a processo pelos crimes de duplo homicídio e formação de quadrilha, segundo o delegado de Rio Branco do Sul. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) informou, na semana passada, que ele já cumpriu pena por latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio. Um dos filhos do casal, que também estava na casa no momento do atentado -Vágner Vidal, 23 anos- também responde inquérito por homicídio. Segundo o delegado, ele teria sido autuado em flagrante ao cometer o crime, em 2006. Todos, no entanto, permanecem em liberdade.
O único homem da família Vidal que está encarcerado é o sobrinho de Valdimir, Eliel Machado dos Santos, preso pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), que está com equipes na cidade para ajudar nas investigações. Santos foi preso pelo Cope na quinta-feira passada, poucas horas depois do atentado.
O crime que resultou na morte de Rute Cordeiro Vidal aconteceu por volta das 4h30 da manhã da última quinta-feira. Um carro com quatro homens parou em frente à casa, na Rua Manuel Mandeira, no Jardim Papanduva, em Rio Branco do Sul, e disparou vários tiros contra a residência. Logo depois, um artefato explosivo foi lançado na garagem, destruindo a casa. Rute foi atingida por um tiro no peito e morreu a caminho do hospital. Dois filhos do casal, que estavam dentro da casa, -um garoto de 11 anos e Vágner, de 23- ficaram levemente feridos. Valdimir, que também estava na residência, não se feriu.
O tipo de artefato explosivo que causou a explosão está sendo investigado por peritos do Instituto de Criminalística de Curitiba. O delegado Kleudson Tavares diz que aguarda a finalização do laudo, que deve sair em alguns dias, para rastrear a origem da bomba.


