Warren NabucoEdson Casagrande espera resultado de exames feitos no IML da capital

Quatro pessoas foram ouvidos ontem pelo delegado do 6º Distrito Policial, Edson Casagrande. Elas prestaram esclarecimentos sobre a morte do pioneiro Olavo Godoy, 84 anos, ocorrido em 22 de dezembro de 96, no Hospital Evangélico de Londrina. De acordo com a família do pioneiro, por volta do meio-dia, ele sofreu uma queda na sede da fazenda Santa Helena (zona sul), onde morava.
A primeira pessoa que prestou depoimento foi a médica Aide Massumi Ohe, que estava de plantão no HE no dia da morte do pioneiro. Segundo o delegado, a médica informou que o pioneiro deu entrada no hospital às 13h30 com cortes no supercílio e ferimentos no nariz.
A médica explicou ainda em seu depoimento que o pioneiro morreu às 17 horas. Neste intervalo, ele teve uma parada respiratória e duas cárdio-respiratórias. Edson Casagrande revelou que o depoimento da médica não esclareceu alguns pontos. ‘‘Ela não disse se as lesões eram graves e se elas poderiam ocasionar a morte do pioneiro’’, observou.
Também foram ouvidos pelo delegado Lázaro Rafael da Silva e suas duas filhas, as menores S.M.S., 16 anos, e L.A.S., 13 anos, que trabalham na fazenda. Edson Casagrande explica que, em seu depoimento, S.M.S. disse que no dia anterior à morte do pioneiro foi avisada que não precisaria trabalhar no dia seguinte. ‘‘Ela estranhou porque a Josyê (Godoy, administradora da fazenda) não gostava de dar folga nos finais de semana’’, relatou. O aviso foi dado pelo irmão de Josyê, que ela conhece apenas como Marcos. Josyê é casada com o sobrinho do pioneiro, Álvaro Lázaro de Godoy Filho.
Já Lázaro da Silva informou ao delegado que na manhã do dia 22 de dezembro, foi até a sede da fazenda pegar seu pagamento, mas foi impedido de entrar por Josyê Godoy. Ela teria dito ao empregado que não poderia conversar porque estava fazendo curativos no Olavo.
O delegado pretende ouvir outras pessoas, entre eles, o irmão de Josyê Godoy, que foi intimado e deve prestar depoimento hoje à tarde. Para concluir o inquérito que apura a morte do pioneiro, ele espera ainda o resultado do exame das partes internas do corpo do pioneiro, que está sendo realizado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba.
A versão da família de que o pioneiro caiu da cama ao meio-dia é contestada por uma empregada da fazenda, Rosana Aparecida Martins. No primeiro depoimento, ela confirmou a história da família, mas, na semana passada, foi ouvida novamente pelo delegado e disse que havia recebido ameaças de Josyê Godoy. Rosana disse que ela e a enfermeria Nancy Alves Takaoka encontraram Olavo Godoy caído no chão por volta das 9 horas. A enfermeira confirmou a versão da família.

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