Polícia ouve mais 4 testemunhas sobre morte do pioneiro Godoy
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terça-feira, 07 de janeiro de 1997
Lucília Okamura 
Warren NabucoEdson Casagrande espera resultado de exames feitos no IML da capital
Quatro pessoas foram ouvidos ontem pelo delegado do 6º Distrito Policial, Edson Casagrande. Elas prestaram esclarecimentos sobre a morte do pioneiro Olavo Godoy, 84 anos, ocorrido em 22 de dezembro de 96, no Hospital Evangélico de Londrina. De acordo com a família do pioneiro, por volta do meio-dia, ele sofreu uma queda na sede da fazenda Santa Helena (zona sul), onde morava.
A primeira pessoa que prestou depoimento foi a médica Aide Massumi Ohe, que estava de plantão no HE no dia da morte do pioneiro. Segundo o delegado, a médica informou que o pioneiro deu entrada no hospital às 13h30 com cortes no supercílio e ferimentos no nariz.
A médica explicou ainda em seu depoimento que o pioneiro morreu às 17 horas. Neste intervalo, ele teve uma parada respiratória e duas cárdio-respiratórias. Edson Casagrande revelou que o depoimento da médica não esclareceu alguns pontos. Ela não disse se as lesões eram graves e se elas poderiam ocasionar a morte do pioneiro, observou.
Também foram ouvidos pelo delegado Lázaro Rafael da Silva e suas duas filhas, as menores S.M.S., 16 anos, e L.A.S., 13 anos, que trabalham na fazenda. Edson Casagrande explica que, em seu depoimento, S.M.S. disse que no dia anterior à morte do pioneiro foi avisada que não precisaria trabalhar no dia seguinte. Ela estranhou porque a Josyê (Godoy, administradora da fazenda) não gostava de dar folga nos finais de semana, relatou. O aviso foi dado pelo irmão de Josyê, que ela conhece apenas como Marcos. Josyê é casada com o sobrinho do pioneiro, Álvaro Lázaro de Godoy Filho.
Já Lázaro da Silva informou ao delegado que na manhã do dia 22 de dezembro, foi até a sede da fazenda pegar seu pagamento, mas foi impedido de entrar por Josyê Godoy. Ela teria dito ao empregado que não poderia conversar porque estava fazendo curativos no Olavo.
O delegado pretende ouvir outras pessoas, entre eles, o irmão de Josyê Godoy, que foi intimado e deve prestar depoimento hoje à tarde. Para concluir o inquérito que apura a morte do pioneiro, ele espera ainda o resultado do exame das partes internas do corpo do pioneiro, que está sendo realizado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba.
A versão da família de que o pioneiro caiu da cama ao meio-dia é contestada por uma empregada da fazenda, Rosana Aparecida Martins. No primeiro depoimento, ela confirmou a história da família, mas, na semana passada, foi ouvida novamente pelo delegado e disse que havia recebido ameaças de Josyê Godoy. Rosana disse que ela e a enfermeria Nancy Alves Takaoka encontraram Olavo Godoy caído no chão por volta das 9 horas. A enfermeira confirmou a versão da família.


