O delegado de Trânsito de Londrina, Antônio Aparecido Gregório, deve receber na próxima quarta-feira o laudo do Instituto de Criminalística com informações sobre o acidente que matou Gisele Boleti e provocou o amputamento da mão de sua filha Izabela, 3 anos. O documento, segundo o delegado, é primordial para definir a responsabilidade sobre o acidente, pois vai esclarecer, entre outros itens, a qual velocidade transitavam os dois veículos envolvidos. Ontem, Gregório ouviu os seis ocupantes do carro que atingiu as vítimas. Anísio Favoretto, motorista do veículo que teria cruzado a preferencial, antecipou o depoimento e conversou com o delegado na noite de anteontem.
O acidente aconteceu no dia 12 de julho, em uma esquina da Área Central. Segundo informações da polícia, o veículo conduzido por Favoretto, uma camionete D-20, trafegava pela Rua Mossoró quando atravessou o cruzamento com a Rua Paraíba, atingindo a Kombi, que levava moradores de Centenário do Sul (91 km ao Norte de Londrina) para tratamento de saúde. Com o impacto, a perua ficou desgovernada, subindo a calçada e atingindo Gisele e a filha. Gisele morreu enquanto era operada na Santa Casa. Izabela está internada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Infantil. Segundo informações da assessoria de imprensa do hospital, a menina está consciente e respirando normalmente.
Os ocupantes da Kombi foram acompanhados pela advogada de Centenário do Sul, Maria Emilia Churk Lago. ''Estava a cerca de 40 km/h quando fui surpreendido pela camionete. Não tive a menor chance de desviar'', afirmou o motorista da perua, José Pereira da Silva, 37 anos. Ainda segundo ele, as visitas a Londrina são diárias. Silva, que disse ser habilitado há 10 anos, também contou que passa todos os dias pelo cruzamento em questão. ''Sempre estamos em Londrina para trazer o pessoal que precisa de médico. Passo naquele lugar de duas a três vezes por dia'', completou.
Também acompanhado por um advogado, Favoretto antecipou em um dia o depoimento. ''Ele alegou que precisava viajar'', disse o delegado. Favoretto contou que transitava em velocidade compatível com o local e que o declive da rua teria impedido que ele parasse atrás da faixa de ''Pare''. Ainda de acordo com o depoimento, Favoretto freou a camionete um metro depois da faixa. Quando percebeu que poderia passar, apenas soltou o freio. No meio do cruzamento, teria sido atingido pela Kombi, que ''estava em velocidade superior''. Favoretto alegou ainda que a coluna do pára-brisa da camionete e outros carros estacionados na esquina teriam dificultado a visão do cruzamento.
No inquérito foi registrado que, após o impacto, a camionete parou a 4,6 metros da faixa de sinalização. A reportagem teve acesso a fotos anexadas ao documento, que segundo Gregório foram tiradas momentos depois do acidente. Elas não mostram carros estacionados nas esquinas. Dos seis ocupantes da Kombi, três sofreram ferimentos leves.
''Recebendo os laudos em meados da próxima semana, poderemos entender melhor como o acidente aconteceu e apurar as responsabilidades. A princípio, continuo acreditando em homicídio culposo (sem a intenção de matar)'', explicou o delegado. Favoretto foi indiciado pelo homicídio e por lesão corporal e, segundo o delegado, a condenação pode lhe render de um a três anos de detenção.

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