Marcos BorgesInterrogatórioPMs acusados do crime prestaram depoimento na quinta-feira e alegaram legítima defesaAs jovens J.S., 15 anos, e Janaina de Jesus Dias, 18 anos, prestaram depoimento ontem de manhã na delegacia de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) sobre o assassinato do comerciário Paulo Antônio dos Santos, 20 anos, na madrugada do dia 2. Elas estavam no carro com os policiais militares João Paulo Bertonsini e João Carlos Tobias, do 5º Batalhão de Londrina, acusados do crime.
Elas confirmaram o depoimento dos policiais, prestados na quinta-feira. Bertonsini alegou que disparou cinco vezes com uma pistola semi-automática 7.65 em legítima defesa por terem sido abordados em duas ocasiões por Santos. Um dos tiros acertou a cabeça do comerciário.
As mulheres contaram que foram para Primeiro de Maio, na véspera, para passear. J.S., namorada de Tobias - que dirigia o carro -, afirma que pararam o carro duas vezes na rodovia porque teriam brigado e estavam discutindo bastante.
Os depoimentos são contraditórios em relação aos prestados pelos comerciários Luciano Ozório de Souza, 20 anos, e Rogério Tonin Ferraz, 18 anos, que estavam no carro com Santos na hora do crime. Eles disseram que pararam o carro para prestar ajuda porque viram o Monza parado no acostamento com o pisca-alerta aceso.
Disseram ainda que ao parar o carro viram as mulheres nuas dentro do Monza. Um dos policiais - Bertonsini - se identificou e atirou em seguida. Algumas testemunhas revelaram que os policiais e as mulheres beberam bastante no Terminal Turístico de Primeiro de Maio.
Os policiais foram afastados dos trabalhos externos no 5º BPM. Segundo o Comando de Operações, eles foram suspensos das atividades da P2 (serviço reservado de informações da PM - investigação) e estão executando atividades dentro do quartel. Eles não serão punidos pela corporação. Como estavam fora de serviço, o crime será julgado pela Justiça comum.
O delegado de Sertanópolis, Marcos Roberto Guazzi Belinati, disse que agora está faltando somente localizar a arma do crime. Ele declarou ter jogado a pistola próximo ao distrito da Warta (Londrina). Ontem, policiais civis procuravam a arma na região. O inquérito deve ser entregue à Justiça assim que o Instituto de Criminalística e o IML de Londrina concluírem os laudos.

mockup