César AugustoNa médiaMachado, Wanderci e Burille na Folha: ‘Números estão normais’Na última sexta-feira a Folha reuniu os responsáveis pela segurança da Cidade - o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Marino Ari Burille; o sub-comandante, major Edwaldo Gomes Machado; e o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes. Eles comentaram os índices de criminalidade em Londrina, criticaram parte da imprensa e o Estatuto da Criança e Adolescente.
Folha de Londrina - Londrina é ou não é uma cidade violenta?
Wanderci Corral Fernades - Eu não considero a cidade violenta. Pelo tamanho dela, quase 500 mil habitantes, comparando com outras cidades do mesmo porte, o índice de criminalidade está na média aceita pelos padrões de segurança. Temos que considerar também o aspecto social - como o desemprego, que faz aumentar os pequenos furtos e roubos. Além da droga, que infelizmente está disseminada em todo o País e, por consequência, está também nos atingindo.
Folha - Então porque a polícia não combate estes fatores que levam à criminalidade?
Wanderci - Estamos combatendo, haja vista que 80% das mulheres presas nos nossos distritos policiais foram autuadas por tráfico de drogas. Recentemente prendemos em sequência mais quatro traficantes. Mas com esta prisões não vamos erradicar o tóxico na Cidade. Infelizmente, os grandes traficantes continuam soltos e para combatê-los exige-se uma ação nacional.
Folha - A PM tem a mesma visão da Polícia Civil?
Marino Ari Burille - Também vejo o problema assim. Londrina não é uma cidade tão violenta como o pessoal comenta. Nós estamos trabalhando nas ruas e presentes junto à comunidade. Prova disto é a quantidade de presos que colocamos atrás da grades e que estão lotando nossos distritos policiais. Hoje temos 235 presos onde cabem 104. Eu sou contra as pessoas que afirmam que Londrina é uma cidade violenta.
Folha - O senhor é contra quem?
Burille - Contra determinadas pessoas da imprensa. Estas pessoas, sem fundamentação nenhuma, com sensacionalismo, forçam a idéia de que Londrina é uma cidade violenta. Eu prefiro não dizer nomes...
Edwaldo Gomes Machado - Eu gostaria de elogiar o trabalho da imprensa, que informa bem a população. Ao mesmo tempo quero criticar determinados radialistas que, com sensacionalismo, distorcem a verdadeira notícia, tentando desacreditar a polícia. Isto incrementa a vinda para Londrina de bandidos de fora, pois afirma que a polícia é incompetente.
Folha - Uma das queixas generalizadas da população é que, principalmente nesta época de Natal, o centro da Cidade está cheio de policiais e que a periferia está desguarnecida, nas mãos dos bandidos.
Burille - Não tem nada de diferente nesta época em relação à segurança da Cidade. O nosso efetivo normal continua a fazer o atendimento em todas as regiões de Londrina, obedecendo a mesma escala de cinco meses atrás. O que nós fizemos foi remanejar nosso efetivo, recrutando mais homens para trabalhar na zona central, onde transitam mais pessoas, o comércio é mais intenso e circula um volume maior de dinheiro. Nós não abandonamos os bairros.
Wanderci - Quando nos reunimos na Associação Comercial, para planejarmos o policiamento de Natal no centro da Cidade, deixamos bem claro que, em hipótese alguma, descuidaríamos da segurança dos bairros. Nós já prevíamos que viria esta espécie de cobrança.
Folha - Os bairros jardim Ideal e Shangri-lá são atualmente considerados dos mais violentos da Cidade em virtude de furtos e assaltos que vêm ocorrendo.
Burille - Eu tenho uma visão ampla do problema. Existem bairros mais visados, com mais bandidos soltos e que moram na própria comunidade que roubam. Em parte, culpo aqueles moradores que são vítimas e não dão queixa na polícia e não assumem a responsabilidade de denunciar os infratores. Isto gera impunidade e dá mais coragem aos bandidos.
Folha - Não é fácil para a pessoa morar no mesmo bairro e denunciar os vizinhos como bandidos. Automaticamente ele vai correr risco de vida...
Wanderci - Qualquer pessoa pode dar queixa anonimamente na polícia. Basta ela me procurar na Subdivisão (na rua Sergipe) para denúnciar bandido que seu nome e endereço serão mantidos em absoluto sigilo.
Burille - Nós sempre estamos à disposição para ouvir as pessoas e mantemos em sigilo a sua identidade.
Wanderci - A população tem a obrigação de ajudar a polícia. A polícia não tem condições de estar em todos os locais ao mesmo tempo e saber o que está acontecendo de crimes. Os moradores têm que denunciar traficantes, ladrões e os bandidos. Como exemplo de irresponsabilidade e falta de cidadania eu cito uma vítima destes ladrões. Nós fomos procurá-la para vir até a delegacia e ela simplesmente se recusou em identificar os bandidos. Nestas circunstâncias pouco adianta a polícia prender, pois não vai conseguir materializar as provas. Este bandido de alta periculosidade, sem as provas necessárias contra ele, vai acabar voltando para as ruas.
Burille - Nós temos no quartel o telefone 326-1340 para receber as denúncias. Se caso a pessoa não quiser se identificar, basta ligar para o telefone 161, conhecido como ‘‘disque denúncias’’.
Folha - Também temos recebido muitas queixas de pessoas que ligam para o 161 e dizem que os bandidos denunciados continuam soltos.
Burille - Realmente, em muitos casos o bandido é mais esperto do que nós. Mas tudo depende de tempo, um dia ou outro ele cai. Já fizemos diversas prisões graças a informações telefônicas que recebemos.
Machado - Sobre o jardim Ideal e o Shangri-lá, fizemos um levantamento estatístico e já temos detectada a identidade da maioria dos bandidos. Não adianta prender alguém por que ele é suspeito. Neste casos podemos até ser acusados de abuso de autoridade.
Folha - As quadrilhas que vêm agindo na Cidade são formadas por bandidos daqui mesmo de Londrina?
Wanderci - A maioria dos ladrões é daqui mesmo, com bandidos de foram infiltrados. A última quadrilha que prendemos tinha um marginal de Foz de Iguaçu.
Folha - O que a polícia pode falar sobre a grande quantidade de roubos de carros na Cidade?
Wanderci - Nós devemos ser realistas a respeito do vem acontecendo no furto e roubo de carros em Londrina. A imprensa disse que foram roubados em menos de dois meses cinco carros Mercedes Benz. Eu fiz levantamento a respeito e a notícia foge da verdade. Foram furtadas quatro Mercedes em três meses. E três delas recuperadas. A média de furto e roubos de carros em Londrina é de 70 veículos por mês. O índice de carro recuperados alcança por volta de 30% a 40%. O índice de carros roubados vem caindo em proporção ao número de veículos cadastrados em Londrina, que é de 146 mil veículos. Em vista de outras cidades, inclusive Curitiba, os nosso índices são normais.
Burille - Existe muita gente que, para ganhar o seguro, promove o furto do próprio carro. Ganham com a venda do carro no Paraguai e com o dinheiro que recebem da seguradora. É um crime difícil de provar. Muitos dos furtos de carro são fabricados.
Folha - Em Londrina existem muitos desmanches de carro?
Wanderci - Existe sim, mas o trabalho para gente atacar desmanche é muito demorado porque precisamos fazer muitas investigações. Há menos de dois meses desmantelamos uma quadrilha que tinha uma oficina de desmanche em Cambé.
Folha - E os roubos de cargas de caminhões que ocorrem em Londrina?
Wanderci - Este tipo de crime é praticado nas estradas e foge diretamente do nosso alcance. A polícia não tem meios de ficar em todos os lugares, o que torna difícil combater diretamente estes roubos. No entanto, fizemos recentemente a prisão de uma ladrão de cargas que morava em Cambé.
Folha - Quais os fatores preponderantes da criminalidade em Londrina?
Burille - Posso garantir que não é o homicídio, pois nossos índices neste setor são baixos. Infelizmente são os menores infratores que roubam e praticam crimes a mando dos maiores de idade. Eu acho que o Estatuto da Criança e do Adolecente dá muita vantagem a estes menores. As leis que estão contidas nele são verdadeiras máquinas de fabricar bandidos. A polícia fica de mão atada para agir. Posso garantir que a grande maioria dos roubos, furtos e tráfico de drogas é praticada por eles. Os menores, na maioria das vezes, ficam impunes. Para isto eu não vejo solução.

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