Polícia não tem provas de extorsão
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia de Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel) concluiu e enviou ao fórum inquérito que apurou denúncia do prefeito Aríston Limberger (PMDB), de que teria sofrido tentativa de extorsão e ameaça de morte, feitas pelo ex-dono de farmácia Valdomir Hartmann. O delegado Antonio Brandão Neto concluiu pela inexistência de provas contra Hartmann que, agora, avalia a possibilidade de acionar o prefeito por danos morais e prejuízos financeiros. Hartmann acusa a prefeitura de desvio de recursos na compra de medicamentos o que, segundo ele, teria motivado represália do prefeito, com a denúncia.
As investigações foram concluídas 10 meses após a instauração do inquérito. Segundo a denúncia, além do prefeito, também o secretário de Saúde, Ivan Morozov, teria sido ameaçado. Valdomir Hartmann teria exigido R$ 40 mil para não divulgar informações que teria sobre desvio de recursos federais para aquisição de remédios e outras irregularidades. Morozov gravou uma das conversas que teve com Hartmann e que conteria ameaças claras e objetivas. A prefeitura acusou o ex-dono de farmácia de agir em represália por não lhe ter sido liberado empréstimo de um fundo municipal de apoio a pequenas empresas.
Além disto, Hartmann foi apontado como detentor de dois CPFs, administrador de empresas em situação irregular e emitente de cheques sem fundo. Ele disse à Folha que nunca pediu empréstimo. Eu é que fui chantageado depois que eles souberam que eu tinha informações que lhes comprometiam. Hartmann acrescentou que o secretário lhe ofereceu dinheiro em troca do silêncio. Ele me disse se eu não me calasse minha família sofreria as consequências. Sobre situações fiscais irregulares que o envolveriam, afirmou que é coisa superada.
Nas conclusões do inquérito, o delegado Antonio Brandão Neto relata que a perícia feita na fita mostrou que de um lado a conversa é inaudível, com muitos chiados; no outro, há gravações de propaganda institucional do Município.
Não obtivemos provas materiais consistentes para concluir sobre a autoria delitiva, afirma o delegado. Para Valdomir Hartmann, é um atestado de inocência. Ele frisa não ter interesse em explorar os fatos para prejudicar politicamente o prefeito, mas apenas obter o devido reparo ao constrangimento a que eu e minha família fomos submetidos.





