Polícia não identifica ''carecas'' de Maringá
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<Br>De Maringá 
A Polícia Civil de Maringá não consegue identificar os integrantes de grupos responsáveis pelos ataques violentos contra travestis. Os grupos, conhecidos como ''carecas'', se pautam pela intolerância contra minorias que incluem cabeludos, punks, estrangeiros e homossexuais. Há denúncias também de que os grupos sejam racistas.
Travestis vítimas de violência procuraram a Folha para relatar os casos de agressão sofridos nos últimos meses. A morte do travesti Ivan Matos Anaes, 21 anos, conhecido como Babalu, na semana passada, aumentou o medo entre os colegas. Babalu foi violentamente espancada por um grupo de carecas e quando caiu, desacordada no chão, acabou sendo atropelada e morta por um veículo que passava pelo local em alta velocidade.
Dois dias depois da morte de Babalu, a polícia chegou a deter um estudante de 19 anos, integrante de um grupo desarticulado há cerca de um ano, depois do suicídio de um dos companheiros. O estudante foi liberado em seguida, pediu para que o nome fosse mantido em sigilo, mas confirmou a existência de pequenos grupos que participam de brigas contra punks, cabeludos e travestis.
Segundo o estudante, alguns grupos têm uma filosofia denominada de ''ultranacionalista'' que se pauta por questões políticas em defesa da nação, mas negou qualquer ligação com os chamados skinheads, de ideologia nazista.
A violência contra os travestis não é o primeiro caso envolvendo gangues ideológicas na cidade. No ano passado, um garoto de um colégio particular foi atacado na saída das aulas, por um grupo de ''carecas'' só porque usava cabelo tipo moicano.


