Polícia muda versão e pensa em latrocínio
Giovani Ferreira
De Curitiba
A polícia de Ponta Grossa muda a versão para os assassinatos ocorridos na região de Roxo Rois, descartando a hipótese de magia negra e trabalhando com a possibilidade de latrocínio. As investigações e consultas feitas pela Seção de Investigação da 13º Subdivisão Policial (SDP) levam a crer que Valdemar Soares do Santos, 22 anos, tido como o principal suspeito dos crimes, matou para roubar, disse o delegado adjunto Noel Muchinski da Motta.
Na avaliação do delegado, pelo menos a morte do casal Cláudio e Erotilde Kovalkeviski pode ser explicada através do latrocínio. Valdemar Santos, que trabalhou na chácara da família durante três meses, tentou roubar a camionete e diversos móveis do casal. Como o veículo estragou logo na saída da propriedade, Santos escondeu os móveis no sotão da antiga estação ferroviária, que utilizava como casa, e enterrou os corpos.
Sobre a criança que também foi encontrada em um cova próxima do local onde morava Santos, o delegado acredita que ela foi morta porque deve ter presenciado o assassinato do casal. De acordo com o delegado, que nos últimos dias consultou diversos livros sobre magia negra, os indícios encontrados na estação ferroviária, como copos com sangue, galinhas pretas degoladas e charutos ainda são muito superficiais para comprovar a realização dos rituais.
A partir dessa dedução, o mistério fica por conta do quarto corpo, identificado pela polícia como sendo de Júnior Aparecido de Souza, 16 anos, que foi encontrado próximo ao local onde estavam enterradas as outras vítimas, com sinais de facadas na região do tórax. Júnior, junto com seu irmão Pablo de Souza, 14 anos, era primo de Santos e também fazia parte do rol de suspeitos.
Com base no bilhete encontrado ao lado do corpo de Júnior, a polícia está trabalhando com duas hipóteses para o seu assassinato. O primeiro seria sobre a ação de um justiceiro, que poderia ser uma pessoa da família do casal Kovalkeviski. A outra é que o menor foi morto pelo seu próprio primo, na intenção de confundir a polícia e sugerir que Júnior foi o responsável pela morte do casal.
Hipóteses à parte, a verdade é que a polícia está enfrentando cada vez mais dificuldades para solucionar os crimes. Além de mudar a versão sobre os motivos que teriam levado à morte de quatro pessoas, os investigadores ainda não têm nenhuma pista concreta do paradeiro do principal suspeito, que está desaparecido com Kátia Nunes, 16 anos, grávida de oito meses. Outra pessoa que pode estar junto com o casal é Pablo de Souza.
Investigadores da Polícia Civil e homens da P2 (serviço reservado da Polícia Militar) estão trabalhando 24 horas por dia na tentativa de capturar os suspeitos. Diante do empenho nas investigações, os policiais não conseguem explicar porque o suspeito ainda não está preso, uma vez que ele estaria fugindo a pé, sem dinheiro e acompanhado de uma mulher grávida, situação que dificulta ainda mais a fuga.
Os laudos do Instituto Médico Legal que irão apontar as causas das mortes do casal e da criança devem ser divulgados amanhã. Para segunda-feira está sendo aguardado o resultado da perícia, feito pelo Instituto de Criminalística, que vai revelar se o sangue encontrado dentro da casa de Santos era de pessoas ou de animais.





