Do alto de belos cavalos e éguas, as seis mulheres que estão em formação no Pelotão de Cavalaria do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina metem medo e intimidam. Presença rara neste segmento da corporação, em poucos meses estas desbravadoras imprimiram um jeito feminino de montar e de cuidar dos animais e a competência demonstrada até aqui tem tudo para abrir espaço para que mais policiais femininas também se aventurem na Polícia Montada.
À certa distância, tudo até parece fácil: o cavalo é bem simpático, trota com desenvoltura pelas ruas da cidade e a rotina do policial parece ser mais simples na companhia de um animal. Mas a aparente tranquilidade acaba assim que é dada a ordem para colocar as vestimentas. Para uma mulher, a coisa é ainda mais complicada. O calor quase não permite maquiagem. O cabelo amassado embaixo do capacete não fica assim, digamos, tão vistoso. As unhas, então, nem se fale. As pernas, após seis horas de serviço, estão exaustas. E olha que isso tudo é só a parte mais simples.
Sobre o cavalo, é preciso ter coragem e confiança para domar um bicho muito pesado que pode pisotear ou esmagar até o mais forte dos policiais. E a coisa piora quando começa o treinamento. Pesado, cansativo, estressante, rude. Cavalo e amazona precisam vencer obstáculos altos, água, fogo, becos escuros e tudo mais que tiver que ser ultrapassado para garantir que, numa situação de patrulhamento, a policial montada não se transforme em mais um problema para os colegas de tropa.
Mas, pelo menos em Londrina, as seis policiais femininas que decidiram ''enfrentar'' os homens da Cavalaria não estão arrependidas. Aliás, muito pelo contrário. Michele Buten, 24 anos, trocou com orgulho o emprego em uma loja de departamentos por um farda de policial militar e acabou se encontrando no policiamento hipomóvel. ''Pretendo ficar aqui até eles se cansarem de mim'', brinca a londrinense, primeira mulher a atuar no Pelotão. Ela confessa que no começo ficou intimidada no meio de tantos homens. ''Pensava que ia ser massacrada, que iam me ignorar, mas não aconteceu nada disso. Sempre me ajudaram e nunca fui desrespeitada'', garante a soldado, que aprendeu a cavalgar na adolescência mas nem imaginava que um dia uniria a profissão ao desejo antigo de trabalhar com cavalos.
Neste ano, Michele ganhou a companhia de mais cinco colegas que ingressaram na escola de formação. A ''invasão rosa'' na Cavalaria em Londrina, alías, foi obra da descendente de poloneses Cintia Pliska, de 26 anos, que antes disso era técnica de enfermagem em uma UTI de hospital em Itajaí (SC). Ela instigou, persuadiu, pressionou, insistiu até fazer com que outras quatro companheiras de turma se interessassem. Ela fala que já sabia montar e tinha familiaridade com cavalos mas nem por isso as coisas foram fáceis. ''Não existe rotina e todo mundo aqui tem que matar um leão por dia'', aponta. Mas ela admite que gosta de desafios e deixa escapar que se sente mais poderosa sobre o animal. ''Mulher fardada já causa impacto. Sobre o cavalo, então, intimida ainda mais'', observa. Mas nem por isso, ela deixa a feminilidade de lado. ''Ainda dá para ser feminina, mas tem que se esforçar mais do que as outras policiais'', compara.
Se para as meninas não é fácil, imagine para as mães. A curitibana Liliane Monteiro de Campos ainda não se acostumou a ficar longe da filha caçula, a policial Elisane Pinheiro de Campos, 23 anos. ''Tenho o maior orgulho dela mas confesso que fiquei decepcionada no início e até hoje ainda está sendo difícil'', emociona-se. Para matar a saudade, a mãe recorda e guarda reportagens e mantém o albúm de fotografias da filha sempre atualizado. Assim, aponta, a falta que ela faz machuca menos.

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