Polícia Militar espera ordens para desocupar duas fazendas
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segunda-feira, 04 de agosto de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
O 11º Batalhão de Polícia Militar de Campo Mourão só está esperando a ordem do secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, para providenciar a desocupação de duas das três fazendas invadidas por sem-terra em Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão). As liminares de reintegração de posse das fazendas Rio Tonete e Fuentes foram concedidas pela Justiça de Campina da Lagoa e já foram encaminhadas para Curitiba pelo comando da PM.
Assim que chegar a resposta, vamos ter que fazer cumprir a determinação policial, diz o comandante do 11º BPM, tenente-coronel Sidnei Edson Mella. Ele, no entanto, já esteve visitando as áreas invadidas e não acredita em conflitos.
Em nenhum momento os sem-terra se mostraram hostis, explica. Segundo informações obtidas pela polícia, boa parte dos invasores mora em Nova Cantu e já manifestou desejo e deixar a área se houver risco de conflito.
Nem a invasão à Fazenda Rio Tonete chega a preocupar o comando do batalhão. A fazenda de 200 alqueires foi ocupada há 10 dias e está com pelo menos 991 famílias acampadas no local. Esse é o número de famílias cadastradas pelo Incra quando os sem-terra ainda estavam no assentamento Santo Reis, às margens da PR-239, entre Nova Cantu e Roncador.
De acordo com os próprios invasores, há outras famílias na fazenda que não foram cadastradas. Apesar da fazenda ser pequena para a quantidade de invasores, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) argumentam que existem outras propriedades improdutivas ao redor que garantem terra para todas as famílias.
Nova Cantu, que já conta com uma área de 420 alqueires que virou assentamento para 70 famílias, voltou a sediar o MST há quatro meses, com a formação de um novo grupo de sem-terra. Desde então, três fazendas já foram invadidas.


