O secretário de Segurança Pública, José Tavares, vai convocar policiais militares para cobrir a greve da Polícia Civil e garantir a segurança da população. Até a tarde de ontem ele ainda não tinha sido comunicado oficialmente da paralisação, mas garantiu que a secretaria iria analisar o impacto da situação para adotar as medidas necessárias. ‘‘Vamos convocar os 900 policiais aprovados em concurso na última segunda-feira e também definir o efetivo da PM adequado para suprir a greve’’, enfatizou. A categoria reinvindica melhores condições de salário e reajuste salarial.
Em todo o Estado são 15 mil policiais militares. Cerca de 2,5 mil trabalham na Capital. Parte dessa corporação seria relocada temporariamente para cobrir os cerca de 4 mil policiais civis que entraram em greve, principalmente para garantir a segurança durante as eleições.
Em Curitiba funcionam dez unidades carcerárias, com cerca de cinco mil presos. Segundo Tavares, a segurança não ficaria desfalcada nesses locais. ‘‘A população pode ficar tranquila’’, garante. Ele lembra que a secretaria incrementou em 30% o efetivo da Polícia Civil, situação que, na opinião dele, já é uma medida adequada.
Tavares classifica a paralisação como circunstancial e ‘‘eleitoreira’’ e salienta que desde 1996 o governo vem tomando medidas para melhorar o trabalho da Civil no Estado. ‘‘Estamos estudando as reivindicações da Polícia Civil, mas não podemos fazer nada em dois dias’’.
O departamento jurídico da Secretaria de Segurança está analisando a paralisação. ‘‘Tudo que transgredir a lei será apurado e punido’’, disse o secretário. Ele acredita que não existem argumentos para a greve dias antes das eleições.
O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), Luiz Bordenowiski, nega que a greve seja política e enfatiza que há pelo menos quatro anos a categoria reinvindica aumento. Segundo ele, a Civil resolveu paralisar há dois dias da eleição porque foi concedido aumento aos policiais militares.
O coronel Sanderson Diotalevi, da Polícia Militar, disse à Folha que não foi concedido qualquer reajuste aos policiais militares. ‘‘Houve uma reposição salarial do montante que havíamos perdido e ganhamos conforme decisão judicial’’, salienta. Ele não quis comentar sobre a greve da Civil e a possibilidade do efetivo da PM ter que cobrir a paralisação.

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