Polícia Militar ainda reforça guarda na PCE
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domingo, 15 de julho de 2001
Simone MattosDe Curitiba 
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná ainda não cogita a saída da Polícia Militar da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Além dos policiais, ontem, 150 agentes trabalharam na penitenciária. Ao contrário das expectativas, o domingo foi tranquilo e o procedimento de entrada e saída dos visitantes ocorreu normalmente.
A Polícia Militar continua comandando o local, desde a rebelião que aconteceu há um mês. Embora os agentes penitenciários estejam trabalhando, a categoria pede a contratação de mais funcionários e vistorias no local feitas pelo Corpo de Bombeiros e pelo Conselho Regional de Engenharia (Crea).
O clima está calmo lá dentro, diz a dona de casa Iolinda Maria de Jesus, que esteve ontem pela primeira vez na PCE depois da rebelião de junho. Seu filho está detido há 1,8 ano, por crime de assalto.
Iolinda comenta que para ela é um grande sacrifício ir até a PCE, que fica a duas horas de ônibus de sua casa, na Vila Osternack. Ela reclama ainda da pouca alimentação fornecida aos internos. Eles comem apenas uma vez por dia, às quatro da tarde.
O pedreiro Dorli Rodrigues, que estava ontem na PCE visitando o seu irmão, confirmou que os detentos comem apenas uma vez dia. Apesar de estarem com fome, ele conta que não há prenúncio de uma nova rebelião. Não há nenhuma movimentação neste sentido. O clima está bem tranquilo, afirma. Seu irmão está detido há três meses, por assalto.
Mais pessimista, a aposentada Maria dos Santos Straub, 80 anos, acredita que possa haver em breve uma nova rebelião. Sem saber dizer qual crime seu filho cometeu para estar há mais de dois anos na PCE, ela garante que lá dentro a vida é de cão.
Entre outros problemas estariam a falta de comida e de condições dignas de vida dentro da penitenciária. Viajo cinco horas de ônibus para chegar, mas sempre que posso venho ver meu filho, pois nunca sei se será a última vez, lamenta.
A Folha tentou contato com o Sindicato dos Servidores Penitenciários do Paraná (SINSSP) e com o diretor da PCE, tenente-coronel Nemésio Xavier mas não obteve retorno.


