Ney de Souza




DesesperoA dona-de-casa Sônia Medina, mãe de Giovani, 15 anos, junto ao muro onde os rapazes teriam sido mortos. Na foto de baixo, as armas apreendidas pela Polícia.


Uma operação da Polícia Civil na favela Monsenhor Guilherme, na região central de Foz do Iguaçu, no início da manhã de ontem, deixou quatro rapazes mortos, sendo três menores de idade. Segundo o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, Luiz Carlos de Oliveira, os mortos pertenciam a uma quadrilha de tráfico de drogas.
A dona-de casa Sônia Medina, mãe de Giovani Medina, de 15 anos, um dos adolescentes mortos, afirmou que nenhum deles era criminoso. Todos, de acordo com ela, estudavam e trabalhavam. Testemunhas disseram que os quatro rapazes não reagiram e foram mortos depois de algemados.
O delegado Oliveira disse que, por volta das 6 horas de ontem, funcionários da 6ª SDP receberam um telefonema anônimo, denunciando que estava ocorrendo um tiroteio entre quadilhas rivais na favela. Oito policiais, chefiados pelo delegado Antônio Donizete Botelho, foram até o local.
De acordo com Oliveira, os policiais encontraram quatro dos supostos integrantes de uma das quadrilhas dentro de um barraco e deram voz de prisão. Nesse momento, dois outros rapazes, que estavam fora do barraco, teriam começado a atirar.
Com a confusão gerada pelo tiroteiro, segundo o delegado, as pessoas que estavam sendo presas começaram a correr, também atirando contra os policiais. Os quatro rapazes que estavam dentro do barraco foram mortos pela polícia. Os outros dois, que teriam começado o tiroteio, conseguiram fugir.
Nenhum dos policiais ficou ferido. Para o delegado, esse fato é resultado de muita sorte e do preparo dos policiais. ‘‘Os marginais atiraram enquanto estavam fugindo. Numa situação dessas, prevalece quem tem mais experiência e melhor preparo. Foi sorte da polícia. Se não fosse por sorte, nossos policiais poderiam estar se juntando ao número de mortos.’’
Oliveira negou que tenha havido irregularidade na ação policial. ‘‘Foi uma reação à altura’’, resumiu. O delegado negou também que tenha havido execução dos supostos criminosos. ‘‘A família de bandidos sempre diz que eles são santos, que devem ser canonizados’’, ironizou. A polícia mostrou cinco armas - dois revólveres calibre 38, um calibre 22 e um calibre 357, de uso reservado das Polícias Civil e Militar -, uma faca e aproximadamente 250 gramas de maconha. As armas e a droga teriam sido apreendidas com o grupo.
Além de Giovani Medina, foram mortos Eli de Oliveira, 19 anos, Ademilson Dias Mattos, de 17, e Arnaldo Oziel Mongelon, de 16. Segundo o delegado (que ocupa o cargo há 22 dias, vindo de Curitiba), os dois fugitivos são conhecidos pelos nomes de Marcelinho e Cláudio.
Localizada às margens do Rio Paraná, que divide Brasil e Paraguai, a favela Monsenhor Guilherme é uma das maiores e mais violentas de Foz do Iguaçu. Levantamento da Prefeitura apontou que 245 famílias moram no local. Segundo a Polícia, são comuns tiroteios entre quadrilhas rivais. O delegado Oliveira disse que, quando a polícia se retirava da favela, ontem pela manhã, foram ouvidos disparos de três tiros de fuzil.

mockup