Polícia localiza 'fábrica' de dinheiro
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Marcos Zanatta De Maringá 
A polícia de Paranacity (66 km ao norte de Maringá) lacrou ontem a casa do desempregado José Viana Ferreira, onde foi localizado equipamento para a falsificação de dinheiro. O delegado Cláudio Marques da Silva acredita que notas falsificadas podem estar sendo passadas em toda a região. Ferreira não estava na casa e até ontem de tarde a polícia ainda não tinha pistas do paradeiro dele.
A localização de papéis e dos equipamentos utilizados na falsificação foi possível depois da prisão do auxiliar de serviços gerais Claudecir de Souza Marques, 32 anos, acusado de passar notas falsas de R$ 10 no comércio local.
A polícia chegou a Marques através da descrição de comerciantes que receberam notas falsas. Na casa dele foram encontradas 67 notas falsas de R$ 10. Marques disse no depoimento que havia ganhado as notas de Ferreira.
Com mandado de busca, a polícia conseguiu entrar na casa de Ferreira, onde foram encontrados papéis prontos para impressão, computador, scaner, impressora de alta definição e programas que permitem a falsificação. Na casa foram encontradas também fotos de Ferreira, que estão auxiliando a polícia.
O delegado diz que acionou a polícia em toda a região, mas não existem pistas do falsificador. Ele revelou que as notas apreendidas são grosseiras, tinham apenas dois números de série, mas podem ser passadas em locais de muito movimento, onde o caixa não tem tempo para uma verificação mais detalhada. Principalmente por serem de valor mais baixo, acredita. A polícia agora tenta descobrir se existem mais pessoas da cidade ou da região envolvidas no esquema.
Em Londrina, o chefe interino da Polícia Federal (PF), João Luís do Prado, descarta um derrame de notas falsas na região. Há duas semanas, um comerciante do centro da cidade recebeu uma nota de R$ 10 e na última sexta-feira suas funcionárias receberam mais duas notas, uma de R$ 50 e outra de R$ 5. São casos isolados e também há poucos inquéritos instaurados, afirmou.
A gerente da agência central dos Correios, Dalva Maria Ribeiro, concorda que não houve aumento na circulação de dinheiro falso. Uma média de 800 pessoas circulam diariamente pela agência e neste ano, até agora, os caixas receberam somente cinco notas falsas três de R$ 10, uma de R$ 50 e outra de R$ 5.
Geralmente a nota falsa traz um papel de qualidade duvidosa e os detalhes como o nome do ministro da Fazenda e a frase Deus seja louvado são borrados e quase ilegíveis.
Ao olhar uma nota falsa de R$ 5 ou de R$ 10 contra a luz, não é possível ver uma bandeira. Na nota de R$ 50 não aparecerá a esfinge. O brasão (estrela) também não tem boa definição e aparece borrado contra a luz. Segundo o artigo 289 do Código Penal, a pena para quem fabrica ou altera dinheiro varia de três a 12 anos de prisão. (Colaborou Lino Ramos, de Londrina)


