Polícia local pode aderir a paralisação
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Paulo Ubiratan 
Os policiais civis de Londrina decidem hoje se entram em greve. Ontem eles não acompanharam a greve deflagrada pela categoria no Paraná. A paralisação atinge também os agentes do sistema penitenciário. Segundo o chefe de imprensa do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Paulo Magalhães, somente hoje, em assembléia às 15 horas, será definido se os policiais da região vão entrar em greve. No entanto, não tenho dúvidas que iremos aderir ao movimento.
A greve no Paraná foi definida em assembléia realizada no pátio do Instituto Médico Legal, em Curitiba. Segundo informações do Sindipol, o movimento alcançou 4 mil policiais. O secretário estadual de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, disse que vai descontar dos salários o tempo parado dos grevistas.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, acha que a reivindicação de maiores salários é um direito dos policiais. Mas acrescenta que a população não pode prescindir de segurança: Recebi a promessa do presidente do Sindipol, Ralph Gren de Oliveira, que a polícia civil de Londrina não ficaria acéfala durante a greve. Vamos ver uma forma de evitar problemas, disse Leonyl.
O delegado-chefe ressaltou que, mesmo sem greve, já existe falta de policiais, e não sabe como vai resolver a situação com o efetivo ainda mais reduzido. A preocupação maior é com a segurança dos distritos policiais, que é feita por policiais civis.
O principal motivo da greve é o baixo salário da categoria. Em entrevista à Folha no dia 15 de março, Ralph Gren afirmou que um investigador de polícia, já em final de carreira, com mais de 20 anos de serviço, ganha cerca de R$ 800 mensais. Outra reclamação é com relação ao desvio de função dos policiais civis. Segundo o presidente do Sindipol, a maioria deles cumpre função de carcereiro, cuidando de presos nos distritos policiais.
O presidente do Sindipol ressalta a injustiça que o Governo pratica contra os aposentados da categoria. Ele toma como exemplo o investigador Joel Rufino, aposentado por invalidez. Ele vinha recebendo R$ 846,00 desde 1993, incluindo a gratificação por tempo integral. Hoje, Rufino teve seu salário reduzido para R$ 243,00.


