Polícia libera os oito presos sob fiança
Sete agricultores e um advogado foram mantidos presos até a retirada de todos os sem-terra que acampavam no Centro Cívico
Kraw PenasAGRESSÃORepórter da Rádio Clube, que tentava fazer um boletim ao vivo, foi impedido pelos policiais
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Os sete agricultores sem-terra e o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, presos antes das 7 horas de ontem, por resistência ao cumprimento de ordem judicial, foram liberados por volta das 13h. As prisões foram feitas durante a desocupação pela polícia do acampamento montado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no Centro Cívico, em Curitiba. Todos os detidos tiveram que pagar fiança R$ 70,00 por pessoa , com exceção de Frigo, cuja fiança foi de R$ 126,00.
O dinheiro usado para o pagamento das fianças foi doado pelos integrantes do MST e alguns advogados que acompanharam o desfecho do caso no 4º Distrito Policial.
O presidente da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Edgard Albuquerque, se responsabilizou pela custódia do advogado da CPT. Os agricultores foram transferidos para a coordenadoria regional do MST, no bairro Portão.
A delegada adjunta do 4º DP, Margareth Alferes de Oliveira Motta, garantiu que não pediu ao juiz que abitrasse o valor da fiança mais cedo, porque quis preservar a ordem pública.
No momento da prisão, a desocupação do acampamento do Centro Cívico ainda não havia se consumado e eles poderiam voltar para lá, defendeu-se a delegada Margareth Alferes.
Quatro dos sete sem-terra presos, Jair Maia, Geraldo Agostinho Barros, Adriano Lopes Barros e Valdir Aparecido Leonel, haviam sido transferidos para o 3º DP, no bairro das Mercês. Os outros três, Guido Heep, Arno Barce e Paulo César Rodrigues Brizola, foram removidos para o 8º DP, no Portão.
Darci Frigo seria levado para a Delegacia do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), no centro da cidade. Com os sem-terra presos, informou a delegada, foram apreendidos várias facas e facões, além de um carro registrado em nome da Cooperativa da Reforma Agária. Ela disse que os presos tiveram que ser levados para outras delegacias porque no 4º DP não existem celas.
A delegada contou que os quatro PMs que prestaram depoimento afirmaram que Frigo, depois de tentar barrar a saída de um ônibus do acampamento, agrediu um soldado, que caiu e teve uma fratura no tornozelo esquerdo. Antes de ser levado, por volta das 10 horas, para fazer exame de lesões corporais no Instituto Médico-Legal, Frigo negou a agressão.
Várias pessoas viram que eu estava a mais de dois metros de distâcia daquele policial (soldado Xavier), que tropeçou no meio fio e machucou a perna, alegou o advogado.
Ele informou que foi comunicado sobre a desocupação às 4h30 da madrugada e chegou ao Centro Cívico atrás do Tribunal de Contas , uma hora depois. Frigo afirmou que o acesso dele ao acampamento foi impedido por aproximadamente oito policiais militares, que o teriam agredido. O tenente Tavares me deu um chute na perna para tentar me derrubar.
Os dois policiais que foram detidos nos batalhões da PM foram presos por agressão ao repórter da Rádio Clube, Edson Thomaz. Ele fazia um boletim ao vivo quando foi imobilizado por um grupo de PMs. Thomaz teve o rádio transmissor e o gravador arrancados pelos policiais. Conforme a PM, teriam sido só dois agressores, que seriam mantidos presos até avaliação de seus casos.





