Milton DóriaFora da rotinaPoliciais improvisam expediente na delegacia semidestruída para não deixar a cidade sem atendimentoIBIPORÃ - A Polícia Civil de Ibiporã (14 quilômetros a leste de Londrina) está liberando as pessoas autuadas depois de ouvi-las em inquérito, ficando à disposição da Justiça. A justificativa é a falta de estrutura para mantê-los presos. Somente os envolvidos em casos mais graves, com prisões em flagrante, estão sendo encaminhados para delegacias de Londrina. O delegado Airton Simplício dos Santos diz que não sabe para qual distrito transferir.
A delegacia foi destruída no domingo durante o protesto dos moradores da cidade contra a morte do pastor José Idalécio Bueno. Ele morreu no dia 9, após ser detido por policiais militares. Seis policiais, dois deles rodoviários, são acusados de terem espancado o pastor antes de prendê-lo.
O Corpo de Bombeiros ofereceu uma sala por alguns dias para a delegacia manter o expediente. No entanto, Airton dos Santos alegou que vai trabalhar na delegacia mesmo, apesar de precariamente. ‘‘Emprestamos móveis e equipamentos da prefeitura e trouxemos cadeiras de casa. Mesmo assim, necessitamos de pelo menos quatro salas para trabalhar’’, justifica.
Ontem, duas pessoas foram presas tentando roubar peças dos veículos destruídos no posto da Polícia Rodoviária. Elas foram ouvidas e liberadas em seguida.
O delegado ainda não fez um levantamento dos inquéritos destruídos durante a invasão à delegacia. ‘‘Levaremos pelo menos seis meses para saber o que foi destruído. Na delegacia havia aproximadamente 120 inquéritos’’, comenta.
Entre os documentos perdidos, existem alguns de crimes considerados insolúveis, como a morte de uma criança por bala perdida, ocorrida no ano passado, e o fuzilamento de um homem, encontrado morto na localidade de Água das Abóboras, em 1995. ‘‘Provavelmente teremos que reiniciar os inquéritos praticamente do nada. Se tivermos alguma sorte, poderemos salvar o que já tinha sido registrado no Fórum. Mesmo assim, será um trabalho árduo’’, ressalta.

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