Albari RosaDramaAristides da Silva foi sepultado ontem. Esposa cobrou empenho das autoridades para esclarecer o crimeA Polícia Civil já tem um suspeito de ter sido o mandante do assassinato do sindicalista Aristides da Silva, presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), morto com sete tiros na madrugada de domingo em Itapoá (SC). Testemunhas afirmam ter visto o ex-diretor do sindicato Cláudio Coelho Barbosa, adversário de Silva, junto com dois homens na entrada da colônia de férias do sindicato depois do homicídio. Até então, o único suspeito do crime era o ex-presidente do Sindimoc, José Martins Costa, que teria ameaçado Silva de morte há poucos dias. Costa e Barbosa são amigos e faziam forte oposição à administração de Aristides da Silva.
Segundo as testemunhas, os homens que estavam junto com o ex-diretor seriam os mesmos que atiraram em Silva quando ele estava no bar da colônia de férias do Sindimoc. Ontem à tarde, cinco testemunhas do crime foram ouvidas na delegacia de Itapoá.
Os primeiros a denunciar a possível participação de Barbosa no crime foram diretores do Sindimoc, que teriam sido informados por moradores de Itapoá sobre a presença de um carro Santana prata, igual ao de Barbosa, nas redondezas do balneário. José Paulo Bonfim, um dos diretores do sindicato que estava junto com Silva, fez a denúncia na delegacia de Pinhais.
O superintendente da delegacia, Sérgio Portela, disse que os policiais foram domingo à tarde à casa de Barbosa, em Curitiba, para confirmar sua viagem ao balneário. Como a família do ex-diretor entrou em contradição ao explicar sua presença na praia, Barbosa foi conduzido até a delegacia para ser interrogado. Depois do depoimento, o ex-diretor foi liberado. Ele não respondeu aos recados deixados ontem em sua casa pela Folha.
Ontem pela manhã, Silva foi sepultado em São José dos Pinhais na presença de 50 pessoas, a maioria familiares e membros do Sindimoc. O caixão foi coberto por uma bandeira do Brasil. Muito emocionada, a mulher dele, Maria Aparecida, pediu que as autoridades policiais se esforcem em identificar os autores do crime. ‘‘A lei que deve valer não pode ser a dos tiros e da violência’’, disse.
Maria Aparecida afirmou que ele vinha sofrendo ameaças de morte desde o começo da sua gestão no Sindimoc, há três anos. Os problemas tiveram início, segundo o advogado do sindicato, Waldenir Dielle Dias, quando Silva denunciou irregularidades financeiras existentes na gestão anterior, presidida por José Martins Costa. Costa também denunciou a atual diretoria por cobranças irregulares de taxas sindicais. Ambos encabeçavam uma briga judicial que tinha audiências marcadas para esta semana. Atualmente, o Sindimoc representa 12 mil trabalhadores e movimenta por ano uma receita próxima a R$ 1 milhão.

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