Polícia já tem pista sobre sabotadores
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de novembro de 1998
Paulo Pegoraro 
A Polícia Civil de Sulina (80 quilômetros de Pato Branco), já tem pista sobre a autoria da sabotagem que resultou na queda de duas torres de linha que está sendo implantada para conduzir a energia que será gerada no final do ano pela hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu.
O delegado Gelso Chiochetta disse ontem à tarde que são pelo menos três os sabotadores, mas negou especulações de que os suspeitos seriam ex-funcionários da empreiteira Camargo Corrêa, que constrói a linha. Chegaremos à autoria, mas a fase de investigação não nos permite dar detalhes sobre a pista que seguimos, disse Chiochetta.
O delegado também preferiu não explicar a conclusão de que são mais de três os sabotadores. Ele já ouviu agricultores que moram na área onde caíram as torres, a 8 quilômetros da cidade, e 300 metros distantes uma da outra. Um dos moradores, Altemir Bortoli, informou data e local exatos da sabotagem, pois ouviu um estrondo às 22 horas do dia 29 de outubro, quando assistia televisão.
Bortoli correu para fora de casa, distante 800 metros das torres, mas não observou nenhum movimento. Ao local não é possível acesso de carros, porque não há estrada, por isso sabe-se que os sabotadores chegaram a pé.
A Polícia Técnica de Guarapuava, que fez perícia no local, também concluiu que foi utilizada uma serra manual de ferro para cortar os esticadores das linhas de sustentação das torres, que ficaram desequilibradas e caíram. O delegado Gelso Chiochetta disse que continuará tomando depoimentos de tantas pessoas quantas seja necessário, o que inclui funcionários (um já ouvido) da Camargo Corrêa, e ex-funcionários demitidos nas últimas semanas. O delegado tem uma relação de 13 pessoas a serem ouvidas, o que não significa que elas ou os moradores da área sejam suspeitos, disse.
As especulações sobre a possibilidade de que os sabotadores tenham (ou tiveram) ligação com a empreiteira - ou com a própria Copel - surgiram porque as empresas e a Polícia estão convencidas de que eles têm conhecimentos profissionais sobre redes de transmissão. Cada torre é sustentada por quatro cabos, entre o topo e o solo, e em cada uma delas foi cortado apenas um cabo, o suficiente para, ao corte do segundo, ocorrer a queda das torres. As investigações estão sendo feitas apenas pelo delegado Gelso Chiochetta, único policial civil em Sulina. Aqui, dou ordens pela manhã e as cumpro à tarde, ironizou.


