O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Gilson Garret, vai determinar a instauração de um inquérito para apurar a morte de Maria José da Silva, 28 anos, atingida por um raio durante um velório no Cemitério Jardim da Saudade, zona norte da cidade, no último sábado. O delegado quer saber se o pára-raios existente no local está em boas condições de funcionamento. Maria José estava acompanhando o enterro de uma pessoa conhecida quando recebeu a descarga elétrica, tendo morte instantânea. A estudante Dayane Cristina Kasano, 12 anos, sobrinha de Maria José, também foi atingida pelo raio, continua internada em estado grave no Hospital Universitário (HU) e está em coma profundo. Outras 10 pessoas que estavam junto ao grupo, entre elas a dona de casa Ana de Paula Padilha Fontoura, internada na Santa Casa, ficaram feridas, mas sem gravidade.
O superintendente da Autarquia de Serviços Especiais (Acesf), Wilson Battini, que administra os cinco cemitérios municipais, acredita que o inquérito poderá ''dirimir as dúvidas sobre o assunto''. Ele não soube dizer se há pára-raios em todos os cemitérios da cidade e nem tampouco se as condições de uso dos existentes são satisfatórias. ''Eu assumi (a superintendência) há poucos dias'', justificou. Segundo Battini, empresas serão contratadas para fazer um levantamento da situação.
Até que as normas de segurança referentes à proteção contra descargas elétricas sejam implantadas, Battini resolveu suspender os funerais em caso de ocorrência de tempestades. A medida, segundo ele, é ''inteligente, prática e barata''. O superintendente não tem conhecimento de outros casos sobre acidentes com raios nos cemitérios.
Segundo o meteorologista e coordenador de previsão do tempo do sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Cesar Benedi, o pára-raios necessita de manutenção permanente para verificar o aterramento e a condição dos fios por onde desce a descarga. ''Caso estejam cortados (os fios) o aparelho não vai funcionar.'' A área de abrangência do pára-raios, explicou ele, corresponde a três vezes a altura e o diâmetro onde o equipamento está instalado. Segundo o meteorologista, o centro-oeste do Paraná é a região onde ocorrem mais raios. Com a proximidade do verão, com altas temperaturas e chegada de frentes frias, as tempestades carregadas são frequentes e os cuidados devem ser observados pela população.
De acordo com o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Henrique Caramori, os raios se formam em nuvem do tipo cumulus nimbus. As descargas elétricas, explicou, podem sair da nuvem para a terra ou vice-versa, dependendo do tipo de condições atmosféricas. As extremidades, ou ramificações das descargas, mesmo na presença de pára-raios, podem se sobressair e atingir pontos altos e pessoas que estejam no local.

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