A Polícia Civil de São Paulo (SP) quer esclarecimentos sobre o caso dos cinco cadáveres enviados pelo campus de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) para a Universidade de Santo Amaro (Unisa), na região metropolitana paulista. As duas instituições oferecem cursos na área médica. A polícia investigará a possibilidade de ‘‘vilipêndio de cadáver’’, ou seja, que alguns deles tenham sido retirados de sepulturas em Cascavel para serem fornecidos à Unisa, uma instituição particular de ensino.
O caso começou a levantar polêmica na noite de sábado, quando o manobrista de um hotel da capital paulista percebeu os cadáveres em uma Caravan de Cascavel, embalados em sacos plásticos transparentes. Avisada, a Polícia Militar compareceu ao hotel e soube que os corpos estavam sendo levados para a Unisa. O condutor da Caravan era Pedro Soares, técnico em necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel, que atua no laboratório de Anatomia da Unioeste através da Fundação para o Desenvolvimento de Ensino, Pesquisa e Extensão.
O técnico teria apresentado a autorização para a transferência dos cadáveres, assinada pelo diretor do câmpus de Cascavel, Paulo Sérgio Wolff, e por isso foi liberado sem questionamentos. Mas o 3º Distrito Policial, na região do hotel, está abrindo inquérito que será presidido pelo delegado Carlos Alberto Queiróz, para investigar a falta de registro da ocorrência, o fato dos cadáveres não estarem em carro funerário e detalhes relacionados aos atestados de óbitos.
Dos cinco cadáveres, um não tinha identificação, um estava identificado apenas como sendo de Antonio Damar Ribeiro, e outro, de Lídio Constantino, 46 anos, constava como tendo sido ‘‘sepultado como mendigo’’, com testemunho do próprio técnico Pedro Soares, na condição de funcionário do IML. A Folha obteve ontem na Unisa informação que os cadáveres foram entregues segunda-feira para a instituição, mas os documentos de recebimento não foram assinados e estão sendo analisados pela assessoria jurídica.
‘‘Caso haja dúvida, todos serão devolvidos’’, disse Ângela Arantes, assessora da reitoria, acrescentando que a devolução ocorreria ‘‘em carro funerário, como é praxe para nós no transporte de cadáveres’’. A legislação exige apenas ‘‘carro apropriado’’. A universidade garantiu que não pagaria nada pelos cadáveres, mas não informou quanto pagaria pelo transporte e outros gastos na transferência. A Folha apurou, no entanto, que o transporte custaria cerca de R$ 0,45 por quilômetro rodado (entre Cascavel e Santo Amaro, são cerca de mil quilômetros).
O diretor do câmpus de Cascavel confirmou e disse que o pagamento seria em nome da fundação, que reteria 5% como ‘‘taxa’’ e repassaria o restante ao dono da Caravan, o laboratorista José Carlos Cintra, funcionário do câmpus no setor de anatomia. ‘‘Não tínhamos carro disponível para o transporte, por isso foi utilizado o dele’’, afirmou Wolff. ‘‘É bom que a polícia faça inquérito, pois ficará tudo ainda mais claro’’, disse o diretor. A reitoria da Unioeste não confirmou especulação de que determinará sindicância a respeito. Pedro Soares, procurado durante todo o dia, não foi localizado.Edson MazzettoAprovaçãoO diretor do câmpus de Cascavel da Unioeste, Paulo Sérgio Wolff, diz que aprova inquérito, que poderá esclarecer o casoPaulo Pegoraro

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