Cambará - A Polícia Civil de Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho) deve abrir inquérito para apurar uma denúncia de tortura que, supostamente, teria sido executada por dois policiais do 2º Batalhão da Polícia Militar de Jacarezinho. O motorista Fabiano de Souza Adericki, preso em flagrante por corrupção ativa ao participar de um esquema de suborno no início do mês, disse em depoimento que foi submetido a sessões de maus-tratos a base de choque elétrico por dois policiais da Rone. ''Ele me contou que ficou preso em um banheiro da polícia rodoviária (posto de Cambará) e torturado com choque durante a noite. A história ainda esta muito nebulosa, estou aguardando um pedido da promotoria para iniciar as investigações'', afirmou o delegado de Cambará, José Augusto Leite.
O Instituto Médico-Legal (IML) de Jacarezinho fez o exame de corpo delito para identificar possíveis marcas de agressão. O médio legista Jorge Yasbick preferiu não se manifestar sobre o caso. ''Quem fala sobre este assunto é o delegado de Cambará, que presidiu o inquérito'', disse. Segundo o delegado, o laudo apontou um pequeno ferimento no braço do motorista, quase imperceptível ao ser visualisado sem equipamentos apropriados. ''Supostamente foi provocado por queimadura. Mas é uma marca muito pequena, que não dá para ver a olho nu'', ponderou o delegado. Ele não descarta a possibilidade do motorista ter se auto-ferido para atrapalhar as investigações da polícia. ''Não é possível afirmar isso, mas é uma hipótese''.
Fabiano de Souza e mais três homens foram presos no último dia 3 acusados de subornar uma equipe da Polícia Rodoviária. Um caminhão Ford Cargo (placas AAC 0561), do Rio de Janeiro, com documento falso também foi apreendido. Apesar do inquérito ter sido concluído e entregue ao Ministério Público, a Polícia Civil continua investigando a origem do caminhão. ''Temos a suspeita de que o chassi tenha sido adulterado'', adiantou o delegado. O Ford trazia na carroceria um Chevrolet Corsa com placas de São Paulo. Até o momento não foi comprovada irregularidade na documentação do veículo.
Ontem à tarde o quarteto envolvido no esquema de propina, que estava preso na delegacia de Cambará, ganhou liberdade graças a um habeas-corpus concedido pela Justiça. Segundo informações da polícia, os acusados devem retornar para Foz do Iguaçu, onde pretendiam chegar com os veículos apreendidos.
A Folha tentou ouvir a versão da Polícia Militar sobre o caso, mas não conseguiu localizar umrepresentante oficial do 2º Batalhão de Jacarezinho.

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