Polícia investiga suspeita de estelionato
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
''Ao que tudo indica, parece se tratar de um grande golpe.'' A declaração foi feita ontem à tarde pelo delegado do 1º Distrito Policial (DP) de Londrina, Marcos Belinati, que instaurou inquérito para investigar a suspeita de estelionato envolvendo a escola Centro de Educação do Paraná (Ceppar). Cerca de 100 pessoas devem ser ouvidas.
Há dois anos na cidade, a instituição oferecia curso técnico de radiologia a um grupo de 80 alunos, em turmas semestrais, com mensalidades a R$ 230. A primeira delas se formaria a menos de dois meses. Anteontem à noite, os estudantes foram surpreendidos pela direção da Ceppar ao serem informados de que a escola havia encerrado suas ativididades devido a uma crise financeira. Revoltados, eles procuraram a polícia.
De acordo com o delegado, o atual proprietário do estabelecimento, Sérgio Roberto Zullo, de 40 anos, teria adquirido o local há somente dois meses. ''Pelos depoimentos de alguns alunos, ele é muito amigo do casal que era proprietário desde o início'', afirmou.
Belinati disse que, com a abertura de inquérito, todos os envolvidos entre administração, funcionários, professores e alunos serão chamados para depor. ''Se confirmado o golpe, indiciaremos os responsáveis e representaremos por suas prisões preventivas'', adiantou, informando que tanto computadores quanto documentos podem ser apreendidos para perícia que investigará o suposto déficit alegado por Zullo. ''E também para verificarmos se o estabelecimento tinha mesmo autorização do Mionistério da Educação para funcionar'', completou.
No setor de atendimento da 10 Subdivisão da Polícia Civil (SDP), dezenas de alunos aguardavam na fila para registrar o boletim de ocorrência. Entre eles, a formanda Ana Paula Gomes, 21, que não aceitou a proposta de Zullo de concluir o curso em outra escola da cidade. ''Durante mais de um ano paguei transporte de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) a Londrina à toa? Só falta concluir o estágio e quero terminar pela escola com que firmei contrato'', justificou.
Patrícia Evaristo, 21, quer a devolução do dinheiro investido. ''Quem me garante que em outra escola terei o mesmo padrão de qualidade garantido no início?'', questionou.
Na Ceppar, Zullo se defendeu das acusações ao declarar que a escola não tinha mais condições de arcar com despesas mensais de R$ 23 mil para uma receita de R$ 12 mil. Outro fator apontado por ele é a suposta inadimplência de 60% dos matriculados. Sobre o relacionamento com o ex-proprietário, não quis dar mais detalhes. ''Só os conhecia profissionalmente'', resumiu. Os três são de São Paulo.
O empresário confirmou o acordo de transferir os alunos ''nas mesmas condições de pagamento'' a outra escola. Aos que quiserem o dinheiro de volta, porém, a solução não vem rápida: ''Não sei o que fazer nesse caso; consultarei nosso departamento jurídico''.


